Governo do Reino Unido denuncia “interferência” após críticas de J.D. Vance

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O gabinete do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, denunciou nesta sexta-feira a ocorrência de tentativas de ingerência após o vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, ter comentado o homicídio de um estudante branco por um homem sikh.

“Vemos pessoas a tentar interferir na nossa democracia e a procurar fomentar divisões nas nossas ruas”, declarou um porta-voz do número 10 de Downing Street, em comunicado. “A família Nowak está de luto após o terrível homicídio de Henry. A família afirmou que não quer que a morte dele seja usada para criar mais divisão, ódio ou tensão. Devemos respeitar os seus desejos”, acrescentou.

Vance condenou nesta sexta-feira, na rede social X, o “homicídio trágico e inaceitável” de Henry Nowak, que, segundo afirmou, ainda estaria vivo “se as últimas gerações de elites europeias tivessem resistido a políticas de ódio e à invasão maciça de migrantes, muitos dos quais desprezam o Ocidente”.

“O Henry não foi, de forma alguma, o primeiro a perder a vida de forma tão desnecessária, e receio que não seja o último. Sempre que se perde uma vida como a dele, a resposta adequada, a única resposta, é a indignação justificada”, afirmou o vice norte-americano.

O homicídio de Henry Nowak, de 18 anos, desencadeou controvérsia política e protestos violentos nas ruas de Southampton, na terça-feira à noite, devido à forma como a polícia lidou com o caso.

O suspeito do homicídio, Vickrum Digwa, alegou ter sido vítima de um ataque racista, enquanto Nowak foi algemado pela polícia, que ignorou os seus pedidos de ajuda, afirmando estar ferido e sem conseguir respirar. O caso está a ser investigado pela entidade de supervisão da polícia.

A intervenção de Vance ocorreu horas após o Departamento de Estado dos EUA ter também publicado horas antes, na mesma plataforma, uma mensagem sugerindo que o Reino Unido se encontra em “declínio civilizacional”.

“O condicionamento ideológico e a aplicação da lei com dois pesos e duas medidas são sintomas evidentes do declínio da civilização. Devem ser rejeitados em todo o Ocidente”, escreveu, apresentando as condolências “à família de Henry Nowak e ao povo do Reino Unido neste momento difícil”.

O primeiro-ministro britânico já tinha acusado esta semana o empresário multimilionário Elon Musk de tentar “semear a discórdia” no Reino Unido e de se intrometer na política britânica, na sequência de críticas ao Governo a propósito da morte de Nowak.

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