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Os produtores de uvas frescas do Brasil já começam a colher os frutos do acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio último. Eles embarcaram o primeiro lote das frutas na última semana de maio, sem qualquer incidência de impostos aduaneiros. As tarifas, que variavam entre 8% e 14%, foram zeradas.
Segundo o Ministério da Agricultura do Brasil, este foi o primeiro de vários embarques de frutas que estão programadas para a União Europa nos próximos — além dos produtores de uvas, devem ser favorecidos os plantadores de manga, limão, abacate e melão. “Várias frutas tropicais produzidas pelo Brasil serão beneficiadas pela tarifa zero na União Europeia”, diz o advogado tributarista Luciano Bushatsky.
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As uvas com tarifa zero embarcadas para a Europa saíram do Vale do São Francisco, em Petrolina, sertão de Pernambuco, região reconhecida como um dos principais polos de produção agrícola irrigada do país e responsável pela maior parte das exportações brasileiras de uva.
Na avaliação do presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, as exportações marcam uma nova fase para a fruticultura brasileira, pois coloca o Brasil em posição mais competitiva no mercado internacional.
Para o Ministério da Agricultura, com a isenção de tarifas nas exportações para a União Europeia, elimina-se uma desvantagem histórica enfrentada pelos produtores brasileiros em relação a concorrentes como Chile e Peru, que já exportavam para a União Europeia sem impostos.
A expectativa dos produtores é de aumento da competitividade internacional da fruta brasileira, sobretudo em períodos estratégicos do calendário europeu, quando a produção local começa a diminuir. “Com a tarifa zero, os produtores brasileiros ganham mais força para competir pelo mercado europeu. Essa, inclusive, era uma das razões de agricultores de países como França, Polônia e Irlanda serem contra o acordo entre o Mercosul e a União Europeia”, afirma Bushatsky.
O governo brasileiro assinala que, além da redução tarifária proveniente do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, o Vale do São Francisco tem um diferencial estratégico importante para o mercado europeu: a capacidade de produzir durante todo o ano, com duas safras anuais (nos países da UE, há apenas um ciclo de produção). Isso faz com que a fruta brasileira ganhe espaço justamente nos meses em que a oferta europeia começa a cair, especialmente a partir de setembro.
Alternativa ao tarifaço de Trump
Bushatsky destaca que o tratado entre dois blocos vem em boa hora, devido à nova ameaça dos Estados Unidos de aplicarem um novo tarifaço de ao menos 25% sobre os produtos exportados pelo Brasil para aquele país. “Mesmo que as frutas tropicais fiquem de fora do tarifaço americano, é muito importar ter à disposição um mercado do tamanho da Europa, com mais de 500 milhões de consumidores”, assinala. “Temos de lembrar que 65% das uvas exportadas pelo Brasil para a Europa saem do Vale do São Francisco”, enfatiza.
Ele ressalta, porém, a importância de o governo brasileiro não recorrer a aumento de impostos internos, o que, certamente, tiraria parte da competitividade que os produtores de frutas conquistaram com a isenção de tarifas no mercado europeu. “A princípio, não parece haver disposição do governo em mexer na carga tributária, até porque, neste ano, entrou em vigor parte da reforma tributária, que só estará valendo por completo a partir de 2032”, afirma.
Para Bushatsky, seria recomendável que os produtores de frutas pudessem recuperar parte dos créditos tributários sobre exportações que têm junto a vários estados. “A eficiência fiscal passou a ser um fator decisivo para a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional e para a manutenção das margens de lucro”, diz.
Dados da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) apontam que Pernambuco exportou 42,5 mil toneladas de uvas em 2025, movimentando US$ 110,6 milhões. No mesmo período, o Brasil embarcou para o exterior 62 mil toneladas da fruta, com receitas de US$ 158,6 milhões. Pernambuco e Bahia lideram a produção nacional e concentram a maior parte das exportações do setor.
Segundo a Embrapa, com informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Serviços e Comércio Exterior (MDIC), os principais destinos das uvas brasileiras em março de 2026 foram Holanda, com 58,76% das importações, Reino Unido (12,66%) e Canadá (9,67%).
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