O Ministério da Educação, Ciência e Inovação, através da Inspecção-Geral da Educação e Ciência (IGEC), está a acompanhar o processo de averiguações instaurado a uma professora de Geografia da escola Fernando Lopes Graça, do agrupamento da Parede, por queixas de racismo e discurso de ódio e anti-imigração dirigido a alunos em sala de aula.
“Concluído o processo de averiguações e apurados os factos, caberá à directora avaliar a necessidade de instaurar ou não um processo disciplinar”, afirmou o ministério ao PÚBLICO. O caso foi revelado pelo PÚBLICO na quinta-feira.
A abertura do processo pela escola surgiu depois de terem sido feitas denúncias dos pais, apesar de existirem alertas anteriores.
Segundo os relatos recolhidos pelo PÚBLICO junto de cinco encarregados de educação, que pediram anonimato por medo de retaliação contra os filhos menores, a professora terá dito em sala de aula frases contra imigrantes como “deviam ir para a vossa terra”, “sou portuguesa de origem”, os imigrantes estão a “estragar Portugal e usam os nossos recursos”. Foi relatado ainda discurso contra o islão.
Recentemente, face àquilo que foi descrito como um agravamento da situação, alguns pais planearam boicotar as aulas se a professora continuasse a leccionar. Na semana passada, e depois das queixas que chegaram de representantes de pais de uma turma, a directora do agrupamento, Rita Zuzarte, informou-os de que a professora iria dar a aula da passada segunda-feira, dia 1, acompanhada por outra docente. Mas a resposta não satisfez alguns encarregados de educação e a professora foi afastada pela direcção da sala de aula enquanto decorre o processo.
A direcção, em resposta por email, diz ter tido, “recentemente, conhecimento de preocupações e relatos relacionados com o funcionamento das aulas da disciplina de Geografia”. No entanto, documentação consultada pelo PÚBLICO indica que a actual direcção já tinha recebido queixas no início do ano lectivo sobre preocupações relacionadas com a docente, e a anterior direcção também, no início de 2025.
Questionada pelo PÚBLICO sobre esses alertas anteriores e sobre eventuais queixas prévias relativas à docente, a directora respondeu que nem ela, nem a professora podiam comentar o assunto devido ao processo de averiguações. Diz que estão a acompanhar a situação e a “desenvolver os procedimentos considerados adequados”.
Uma das queixas recolhidas pelo PÚBLICO prende-se com a alegada utilização, em contexto de aula, de um blogue pessoal da docente que, segundo os encarregados de educação, os alunos eram obrigados a ver. Consultado pelo jornal, o blogue contém textos com mensagens explícitas contra a imigração e o islão, bem como publicações relativas à comunidade LGBTQI+. Entre os conteúdos encontrados há partilhas de material produzido pelo Chega e referências elogiosas a declarações do antigo líder do Partido Nacional Renovador sobre o que descrevia como um “flagelo migratório”.
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