O secretário-geral do Partido Socialista (PS) criticou este sábado o Governo por não “garantir uma resposta de retaguarda” social na saúde, para que idosos não vivam anos em hospitais, pedindo que “assuma a responsabilidade”.
“Aqui, é preciso que o Estado assuma a responsabilidade de liderar o processo, neste caso a Segurança Social, o Ministério da Segurança Social [junto com o Trabalho e Solidariedade] com o Ministério da Saúde, para garantir uma resposta de retaguarda, negociando com as instituições particulares de solidariedade social, com as misericórdias, e financiando essa responsabilidade”, declarou José Luís Carneiro.
O líder socialista falava aos jornalistas à margem de uma visita ao Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, em Penafiel, no distrito do Porto, onde reuniu com a administração e colocou o foco na “falta de resposta familiar e social” para idosos hospitalizados, que chegam a passar “um ano, dois anos, três anos” internados.
Questionado sobre o papel do Governo nesta matéria, considerou que se o tema “fosse uma prioridade, estaria a ser resolvida”. “Aquilo que eu vejo é que, até agora, nestes dois anos, não vi que fosse prioridade do Governo. Pelo contrário”, atirou.
Sem querer referir-se quer ao tema da Prestação Social Única quer à adesão à greve geral de quarta-feira, preferindo “valorizar” o trabalho feito em Unidades Locais de Saúde pelo país, Carneiro diz que não “critica por criticar”, antes “critica, mas sabe aquilo que quer fazer de diferente para garantir resultados diferentes”, não querendo opor-se à política do Governo de Luís Montenegro, antes mostrar “uma alternativa”.
“Eu quero afirmar uma alternativa. O que estou a afirmar é uma alternativa política para a saúde que passa pela valorização dos cuidados primários de saúde, que passa pela valorização das unidades locais de saúde, que passa pela criação e desenvolvimento dos centros de responsabilidade integrada, que passa pelo reforço da autonomia administrativa financeira e de capacidade de execução dos concelhos de administração, (…) e também uma melhor articulação entre a Segurança Social e a Saúde”, defendeu.
Em Penafiel, ouviu do Conselho de Administração avisos quanto à ocupação de “cerca de 60 camas por dia de pessoas que ficam no hospital porque não têm retaguarda familiar ou social”, lembrando um projecto socialista, chumbado no Parlamento, para dar resposta a essa lacuna, além de defender maior autonomia aos administradores deste tipo de hospitais.
Por outro lado, num centro hospitalar que hoje responde a meio milhão de pessoas, pediu “atenção” ao Governo para o investimento previsto de 200 milhões de euros naquela unidade, onde “faltam cerca de 150 enfermeiros para responder às necessidades”.
“O pior que pode acontecer a um responsável político é não assumir as suas responsabilidades e querer atirar com as suas responsabilidades para outros”, lamentou, quando questionado sobre as críticas da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, ao socialista Fernando Araújo, que elogiou.
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