Portugal vence primeiro de dois testes antes do Mundial

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Todas as narrativas à volta de Portugal neste Mundial vão atrás de Cristiano Ronaldo e da sua quinta presença em fases finais de Mundiais, quando deviam era olhar para a selecção como “Bruno Fernandes e mais dez”. O homem do Manchester United, eleito o melhor da Premier League em 2025-26, foi um dos dois (o outro foi João Cancelo) que esteve os 90 minutos em campo no triunfo português por 2-1 sobre o Chile, naquele que foi o primeiro de dois testes de Portugal antes da partida para as Américas. Bruno Fernandes marcou um grande golo e fez o ataque de Portugal funcionar, e, antes dele, foi Gonçalo Guedes a justificar a sua chamada com o seu primeiro golo pela selecção em quatro anos.

Ter o Chile como um dos adversários nesta fase final de preparação seria, em teoria, para testar comportamentos frente a uma selecção sul-americana – e Portugal terá a Colômbia como adversário final na fase de grupos do Mundial. Mas esta selecção chilena, última nas qualificações continentais e em fase de profunda reconstrução, pouco poderia oferecer como equipa semelhante aos “cafeteros” – talvez na agressividade e, nesse aspecto, como se viu no final da primeira parte, Portugal falhou completamente o teste contra o “sangue quente” dos chilenos.

Martínez tinha prometido que toda a gente iria jogar, que iria testar comportamentos individuais e maleabilidade táctica. Entrou com dois extremos declarados (Rafael Leão e Francisco Conceição) no apoio ao ponta-de-lança (Cristiano Ronaldo), mais uma estrutura interessante no meio-campo, Bruno Fernandes e Bernardo Silva lado a lado no centro, resguardados por Samu Costa. Outro detalhe interessante, o posicionamento de João Cancelo no lado esquerdo da defesa – Nuno Mendes será o dono do lugar e o homem do Barcelona deve ser o escolhido para a direita.

Cancelo foi, aliás, protagonista do primeiro grande momento de Portugal no Jamor. Num ataque reciclado após um canto, aos 4’, Cancelo, a partir da direita, fez um excelente cruzamento para a área chilena e Rúben Dias cabeceou na medida certa – brilhou na baliza dos sul-americanos Lawrence Vigouroux. Pouco depois, aos 9’, uma boa distribuição de Ronaldo com o calcanhar deu espaço a Leão para correr, driblar e rematar ao poste da baliza chilena.

Aos 18’, foi Ronaldo a receber na área, a demorar o seu tempo e a rematar para mais uma boa defesa de Vigouroux. O golo tardava em materializar-se, mas este era um início bem interessante da selecção nacional, a sugerir tudo o que Martínez prometera. Leão e Conceição destacavam-se nas investidas pelos flancos, Bernardo parecia confortável no centro e o Chile quase não saía do seu meio-campo.

Expulsão de Leão

Os níveis de energia foram baixando e não houve continuidade deste bom início. Só no final da primeira parte é que o jogo voltou a animar, mas não por motivos futebolísticos. Uma disputa de bola junto à linha final da área chilena gerou confusão, jogadores das duas equipas começaram aos empurrões e o árbitro foi salomónico na decisão: uma expulsão para cada lado, vermelho para Rafael Leão e Iván Román. A segunda parte seria jogada de dez contra dez.

Martínez mudou seis ao intervalo, com alterações em todos os sectores, da baliza ao ponta-de-lança. E foram dois dos que entraram a marcar a diferença, aos 58’. Rúben Neves fez uso da sua boa visão de jogo e direccionou a bola para a zona de Gonçalo Guedes. O homem da Real Sociedad, uma das escolhas menos consensuais da convocatória, dominou com um toque e, ao segundo, fez o 1-0.

A influência de Guedes no jogo não se fica por aqui. Aos 75’, foi ele que levou a bola para o flanco, mas teve a clarividência para fazer o passe atrasado. Conceição deixou passar e Bruno Fernandes, de fora da área, fez o 2-0, o 29.º golo do homem do United pela selecção – passou a ser o quinto melhor marcador da história de Portugal. Neste momento, não há jogador mais importante do que ele.

Já em fase de descompressão, o Chile lá fez o seu golo, com um remate de fora da área de Cepeda perante a marcação com os olhos de Rúben Neves. No último minuto de um jogo particular com uma vantagem de dois golos, não há grande dano. Mas num Mundial…

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