Edgar Morin, de quem eu tanto gosto, morreu dia 29 de maio, ao fim de um dia de primavera. Faltavam 40 dias para fazer 105 anos. Há mortes que chegam como uma rutura — o mundo parte-se ao meio e o antes e o depois tornam-se irreconciliáveis. Outras há que fecham a sinfonia com uma lógica própria, necessária, diria. A morte parece sempre prematura e injusta, mas não a de Morin: teve talvez o tempo que uma vida como a sua exigia. Morrer aos 104 anos não é apenas uma façanha biológica — no caso de Morin, é um statement filosófico da maior consistência. E talvez seja, no mínimo, uma hipótese sedutora: a de que a curiosidade e o pensamento complexo sustentam e ampliam a existência. Não é prova, é uma biografia.
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