Um drone russo atingiu neste domingo um edifício parte de uma instalação depósito de combustível nuclear usado perto da central nuclear de Tchernobil, que provocou um incêndio e deixou a instalação “parcialmente destruída”, no que o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, considerou um ataque “extremamente vil”. O ataque aconteceu quando Zelensky se preparava para se reunir, em Londres, com o primeiro-ministro britânico, o Presidente francês e o chanceler alemão.
“A Rússia atacou deliberadamente esta infra-estrutura nuclear em especial”, disse Zelensky numa publicação na plataforma X (antigo Twiter), dizendo que se trata de “um local extremamente importante”.
A operadora nuclear ucraniana Energoatom disse que o ataque foi um ataque à segurança atómica. “O ataque a uma infra-estrutura nuclear mostrou mais uma vez ao mundo a verdadeira face do regime do Kremlin, que ameaça deliberadamente a segurança nuclear e de radiação”, reagiu o organismo.
O edifício atingido incendiou-se e ficou parcialmente destruído, mas não houve vítimas e o nível de radiação mantinha-se estável.
Trata-se, segundo o diário The Guardian, do edifício de recepção do armazenamento de combustível nuclear usado, que não tinha contentores na altura.
O local serve para armazenamento a longo prazo de combustível usado noutras centrais nucleares ucranianas (a própria central de Tchernobil, que foi palco do mais grave acidente nuclear da História, está desactivada).
Esta não foi a primeira vez que a Rússia lança ataques para a zona de Tchernobil: em Fevereiro de 2025, um drone causou danos numa estrutura de contenção sobre o reactor que foi destruído na explosão de 1986. A Rússia negou a autoria do ataque.
Com este ataque, continua ainda o Guardian, Moscovo parece ter enviado uma mensagem do tipo de dano que pode causar, numa altura em que ambos os lados estão a atingir locais importantes com drones de longo alcance – a Ucrânia, por exemplo, atacou nos últimos dias duas vezes locais em São Petersburgo e à sua volta (a mais de mil km de distância) quando decorria um fórum económico internacional importante para a imagem de Moscovo.
Na semana passada, disse ainda Zelensky, a Rússia lançou 88 mísseis, 1800 bombas e mais de 3250 drones contra a Ucrânia.
Zelensky preparava-se, entretanto, para se reunir com Keir Starmer, Emmanuel Macron e Friedrich Merz em Londres, um encontro para discutir o apoio europeu à Ucrânia.
O grupo tinha-se já reunido anteriormente também em Londres, em Dezembro, numa altura em que os Estados Unidos pressionavam a Ucrânia para assinar um plano rapidamente para pôr fim à guerra aceitando abdicar de território para a Rússia, incluindo território que não era militarmente controlado pelas forças de Moscovo.
“O foco principal é a nossa defesa na guerra, uma maior cooperação para a segurança de toda a Europa no domínio da defesa aérea e a nossa visão comum das perspectivas diplomáticas», escreveu Zelensky na rede social X ao chegar ao Reino Unido. “A Europa tem de fazer parte das negociações e tem de ser forte”, acrescentou o Presidente ucraniano.
O Presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Friedrich Merz foram recebidos à porta do número 10 de Downing Street por Starmer antes da chegada de Zelensky.
O Reino Unido, a França e a Alemanha têm uma aliança de segurança informal chamada E3, que se tornou um dos principais apoiantes internacionais da Ucrânia. Macron afirmou na sexta-feira que os europeus poderiam ajudar a Ucrânia e a Rússia a estabelecer tanto um cessar-fogo como um plano de paz.
Zelensky publicou na quinta-feira uma carta aberta propondo conversações presenciais com Vladimir Putin sobre o fim da guerra, que já vai no seu quinto ano, mas a oferta foi rejeitada pelo Presidente russo.
Na sua carta, Zelenskiy afirmou que os russos se tinham cansado dos ataques com mísseis e drones ucranianos, da elevada inflação e da escassez de combustível, e que estavam prontos para a paz. Putin afirmou que a oferta não lhe parecia sincera e que, neste momento, não via sentido no encontro, acrescentando que era necessário um acordo “a longo prazo”. com agências
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