Israel confirmou nesta segunda-feira que atingiu uma instalação petroquímica no sudoeste do Irão, assim como outros alvos militares. O ataque surgiu como retaliação após ter sido lançada uma vaga de mísseis iranianos na noite de domingo contra Israel e apesar de o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter alegadamente dito ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para se abster de realizar novas investidas.
No primeiro ataque a uma instalação energética em território iraniano desde o cessar-fogo de 8 de Abril, Israel declarou ter atingido alvos no complexo petroquímico de Mahshahr, enquanto um responsável da província disse à agência noticiosa semioficial iraniana Fars que partes da instalação sofreram danos.
“A Força Aérea Israelita atingiu vários alvos no complexo petroquímico de Mahshahr”, confirmaram, num breve comunicado, as Forças de Defesa Israelitas.
Não há para já mais detalhes sobre os danos causados nesta segunda-feira. Os meios de comunicação estatais iranianos afirmaram que projécteis inimigos atingiram cinco linhas de produção da instalação desde o início da guerra com o Irão, a 28 de Fevereiro.
Algumas horas antes, Trump afirmou que novos ataques por parte de Israel e do Irão não afectariam as negociações de paz da sua administração com Teerão, acrescentando que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, “não é quem manda”.
Trump tem pressionado Israel para cessar os seus ataques no Líbano, de forma a criar espaço para um acordo que ponha fim ao conflito mais amplo com o Irão, tendo inclusivamente repreendido Netanyahu com linguagem ofensiva numa chamada telefónica na semana passada.
No entanto, no domingo, Israel lançou ataques na zona de Beirute pela primeira vez desde que os Estados Unidos anunciaram, na semana passada, um plano de tréguas para o Líbano.
O Irão respondeu com salvas de mísseis contra alvos israelitas, colocando em risco as negociações de paz entre Washington e Teerão. Ainda assim, Trump insistiu que um acordo para terminar a guerra mais ampla continuava perfeitamente ao alcance.
“Isto não vai ter qualquer impacto no acordo”, disse Trump ao Financial Times. “Sou eu quem decide. Sou eu quem toma todas as decisões. Ele (Netanyahu) não decide.”
Poucas horas depois, as forças de defesa israelitas anunciaram ter atingido alvos militares iranianos. Os Guardas da Revolução do Irão afirmou que Israel utilizou mísseis balísticos lançados por via aérea nos seus ataques.
O Irão lançou 11 mísseis balísticos contra Israel, afirmou o embaixador israelita nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, na rede social X, acrescentando: “toda a gente já está farta deste regime iraniano maníaco.”
Segundo Leiter, Israel estava a atacar plataformas de lançamento de mísseis e infra-estruturas associadas. E defendeu ainda que “nenhum país que se respeite toleraria um ataque destes, e Israel também não o fará”.
As mais recentes hostilidades fizeram subir os preços do petróleo em mais de 3% na segunda-feira, com o Brent de referência a ultrapassar novamente os 96 dólares por barril (aproximadamente 83 euros).
Os Guardas da Revolução do Irão afirmaram ter visado a base aérea de Ramat David, perto de Nazaré. Os militares israelitas disseram ter identificado mísseis lançados a partir do Irão e que os seus sistemas de defesa os interceptaram.
“Os alertas de mísseis soaram às 6 da manhã em Jerusalém”, escreveu no X o embaixador dos Estados Unidos, Mike Huckabee.
Os militares israelitas informaram ainda que activaram os seus sistemas de defesa aérea para interceptar um míssil que identificaram como tendo sido lançado a partir do Iémen, num ataque que seria o primeiro proveniente daquele país contra Israel desde o cessar-fogo.
O apelo de Trump
Trump falou por telefone com Netanyahu a partir do seu clube de golfe em Bedminster, no estado de Nova Jérsia, durante cerca de meia hora no domingo, segundo um responsável israelita, que não forneceu mais pormenores.
A Casa Branca e o gabinete do primeiro-ministro israelita não responderam de imediato aos pedidos de comentário.
Segundo um responsável norte-americano citado pelo Axios, Trump disse a Netanyahu durante a conversa para evitar novos ataques porque estavam “perto de conseguir algo positivo em termos de um acordo”.
Desde o início das negociações, Israel manteve os ataques no Líbano, num conflito com o Hezbollah que, segundo responsáveis israelitas, deve ser tratado separadamente de qualquer cessar-fogo com o Irão.
Teerão afirma há muito tempo que qualquer acordo de paz com os Estados Unidos dependerá também da manutenção de um cessar-fogo no Líbano, país que Israel invadiu em Março para perseguir combatentes do Hezbollah apoiados pelo Irão, os quais lançaram foguetes e drones através da fronteira em solidariedade com Teerão.
O principal negociador iraniano para a paz, o presidente do parlamento Mohammed Baqer Qalibaf, afirmou que as bases norte-americanas e os activos israelitas eram alvos legítimos devido a actos hostis, incluindo a “violação dos acordos relativos ao Líbano”.
Antes de domingo, o Irão não atacava Israel desde que entrou em vigor o cessar-fogo da guerra mais ampla, em Abril, embora o Hezbollah o tivesse feito.
Trump tem insistido repetidamente que Washington e Teerão estão próximos de alcançar um acordo para pôr fim à guerra.
“Estamos muito perto de um acordo, ou então vou arrasá-los completamente”, disse Trump ao programa “Meet the Press”, da NBC News, numa entrevista gravada transmitida no domingo para assinalar os cem dias do conflito.
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