Enquanto os intermediáros de crédito crescem, rede de agências bancárias diminui

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Os intermediários de crédito (IC) cresceram exponencialmente em número (4835) e em crédito intermediado (cerca de 51% do montante de crédito aos consumidores e de 56% do montante de crédito à habitação). Estes números, de finais de 2025, não são novidade, mas ajudam a relacionar a sua dimensão com a redução de agências bancárias, segundo uma análise publicada pelo Banco de Portugal.

“Enquanto a rede de estabelecimentos dos IC se tem expandido, a rede de agências bancárias tem-se reduzido. As duas tendências podem estar relacionadas”, concluem os autores do estudo, incluído no Políticas em análise do Boletim Económico de Junho, publicada esta segunda-feira. Onde também se conclui que o crédito pessoal contratado via IC fica, em média, mais caro.

“Um maior número de intermediários pode tornar menos necessária a presença física das agências bancárias, e os bancos podem ter um incentivo em reduzir custos por essa via. Um menor número de agências bancárias pode, por sua vez, incentivar o surgimento de novos intermediários ou a expansão de estabelecimentos. De facto, verifica-se uma correlação negativa (de -0,14) entre a variação anual no número de agências bancárias e a variação anual no número de estabelecimentos de intermediários ao nível do concelho”, lê-se na análise, da autoria de Renata Mesquita, Joaquim Rodrigues (no âmbito do estágio do Prémio Professor Jacinto Nunes do Banco de Portugal) e Carla Soares.

O trabalho avaliou ainda “uma hipótese recorrente é a de que os intermediários reduzem os custos de procura de crédito por estarem mais próximos da população, mais relevante ainda no contexto de redução da rede de balcões bancários”, para concluir que os resultados apontam nesta linha, em especial para o crédito pessoal, ou seja, “em zonas onde a rede bancária é mais esparsa é ligeiramente mais provável um consumidor recorrer a um intermediário para contratar um novo crédito pessoal, do que directamente na instituição financeira”.

Segundo a mesma fonte, embora dispersos pelo país, “os IC tendem a localizar-se mais nas zonas urbanas”, mas “quando se tem em conta a população a nível do concelho, verifica-se que, embora exista uma maior concentração de estabelecimentos de intermediários no litoral norte e centro, estes estão espalhados pelo território nacional, evidenciando a relativa facilidade em aceder ao crédito através de intermediários”.

No universo de intermediários de crédito autorizados pelo BdP, cerca de 88% eram pessoas colectivas; a grande maioria (76,5%) estava registada como intermediários a título acessório (nos pontos de venda, o objecto principal é a venda de bens e serviços); 23,4% eram intermediários vinculados (a uma ou mais instituições financeiras e pagos por estas); e apenas 0,1% eram não vinculados (pagos pelos consumidores).

Nos dois grupos mais representativos, cada intermediário de crédito a título acessório (como lojas de electrodomésticos ou stands de automóveis) estava vinculado, em média, a três instituições financeiras e, no caso do intermediário vinculado, a oito instituições.

Segundo o estudo, no final do ano passado, 61% dos intermediários a título acessório como pessoa colectiva tinham como actividade principal o comércio a retalho de veículos automóveis, motociclos, partes e acessórios, e 8,6% tinham outras actividades relacionadas com veículos automóveis, confirmando a importância dos intermediários no segmento do crédito automóvel. Os restantes actuavam sobretudo em actividades relacionadas com outro tipo de comércio e com a saúde. Mais de metade dos intermediários tem também, como actividade secundária, registo de actividades associadas a serviços financeiros, naturalmente ligadas à intermediação de crédito.

E cerca de 90% dos intermediários de crédito tinha apenas um estabelecimento físico, existindo, contudo, intermediários com vários estabelecimentos, como é o caso de alguns cuja actividade principal é a venda de produtos ou serviços (por exemplo, lojas de electrodomésticos).

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