O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, disse nesta segunda-feira sentir que existe no Governo Regional dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) uma “grande instabilidade”, e que o seu partido tem contribuído para a estabilidade política na região.
“Sentimos, vemos, observamos no território do continente, que há uma grande instabilidade e uma grave precariedade precipitada por palavras que, do meu ponto de vista, foram imponderadas relativamente ao Governo Regional dos Açores, mas, naturalmente, aquilo que se passa nos Açores diz somente respeito aos açorianos”, afirmou o líder socialista.
José Luís Carneiro, que falava nesta manhã em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, no arranque da rota pela economia do mar, acrescentou que a Assembleia Legislativa Regional e os diferentes partidos “não deixarão de contribuir para a procura da estabilidade” política nos Açores. “E o PS, por aquilo que sei, tem contribuído para que a estabilidade possa contribuir para o desenvolvimento da região. Vi mesmo na atitude do PS dos Açores a mesma atitude que tem existido no PS nacional em relação ao Governo da República”, afirmou.
E concluiu: “Nós somos pela estabilidade política, nomeadamente na República, mas é evidente que compete aos governos a quem o povo deu o poder para executar as políticas, ser o garante da estabilidade e garantir que essa estabilidade serve os interesses, neste caso da região, e no continente, os interesses do país. Deitar a toalha ao chão nunca é a melhor solução.”
O PS venceu as eleições regionais dos Açores em 2020, mas perdeu a maioria absoluta e PSD, CDS-PP e PPM formaram uma coligação pós-eleitoral que pôs fim a 24 anos de governação socialista. Após as eleições antecipadas de 2024, convocadas na sequência do chumbo do Orçamento Regional, os três partidos voltaram a concorrer em coligação e venceram, embora sem maioria absoluta.
O acordo assinado em 2020 prevê a manutenção da coligação durante dois mandatos, até 2028. O presidente do Governo Regional e líder do PSD-Açores, José Manuel Bolieiro, já afirmou que pretende cumprir esse compromisso, mas indicou que, a partir de 2028, o PSD voltará a concorrer sozinho.
Tanto Bolieiro como o líder regional do CDS-PP, Artur Lima, têm sublinhado que a coligação não elimina a identidade de cada partido, com os centristas a garantirem estar preparados para disputar futuras eleições sozinhos. Bolieiro tem reiterado a intenção de cumprir o actual mandato até ao fim na defesa “pela estabilidade política e governativa”.
Açores “merecem uma atenção especial”
Para José Luís Carneiro, os Açores merecem “atenção especial” do poder político e a União Europeia tem de olhar para Portugal como a “grande plataforma de afirmação da Europa” relativamente à valorização dos oceanos. “Os Açores são o centro do Atlântico e, como centro do Atlântico, merecem uma atenção especial da parte do poder político e da parte do interesse nacional”, afirmou.
Segundo o líder socialista, os Açores são a plataforma atlântica para Portugal se articular com a América do Norte e com a América do Sul. “São, simultaneamente, a plataforma atlântica para nos articularmos com África e também para nos articularmos com a Ásia. E os Açores são a nossa plataforma do centro do Atlântico, não apenas para potenciar Portugal e os seus recursos estratégicos, mas para posicionar a União Europeia”, acrescentou.
Para Carneiro, a União Europeia “tem de olhar para os Açores, tem de olhar para Portugal, como a grande plataforma de afirmação da Europa no quadro da valorização dos oceanos”.
O dirigente do PS referiu, ainda, que é no arquipélago que “está o maior potencial para afirmar Portugal como país global”, desde logo no que respeita à modernização das frotas e à sua descarbonização e a capacidade para promover a vigilância oceânica em relação às alterações climáticas, ao aproveitamento de energia e ao aproveitamento de recursos piscatórios.
Aos jornalistas, o secretário-geral socialista afirmou que com a liderança de Francisco César (líder PS-Açores) no governo regional e com um governo do PS na República Portuguesa, a primeira “grande prioridade” iria para a criação de um hub de logística de transporte e de observação oceânica. A segunda prioridade é a de que os Açores sejam uma grande plataforma científica para conhecimento da oceanografia, vulcanologia, alterações climáticas e biodiversidade marinha. Outra aposta seria na economia do mar e em todos os recursos ligados à economia azul (biotecnologia marinha, energias oceânicas, monitorização ambiental, aquacultura sustentável e robótica submarina).
“São áreas que estavam em todas as estratégias que desenvolvemos quando estávamos no Governo e elas têm de ser recuperadas e ser colocadas no centro das preocupações políticas nacionais, porque delas depende a afirmação dos Açores”, vincou.
Em relação às energias renováveis, Carneiro lembrou que os Açores são conhecidos pela geotermia e têm potencial para experiencias relativas ao hidrogénio verde e para desenvolvimento das energias em regime de offshore. “Tínhamos um conjunto de concursos a decorrer. É preciso saber qual é o ponto de situação desses concursos para o aproveitamento das energias renováveis em offshore“, alertou.
Outra questão está relacionada com o turismo, particularmente voltado para a ciência e para a natureza, enquanto na mobilidade defendeu investimentos na melhoria das ligações aéreas e marítimas.
Por sua vez o líder do PS-Açores, Francisco César, congratulou-se por o líder nacional ter iniciado o roteiro pela economia do mar na região, por considerar que o mar nos Açores “tem uma importância extraordinária”. Salientou que as pescas são a principal riqueza, adiantando que cerca de sete mil pessoas vivem deste sector.
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