Quatro pares de irmãos vão competir no Campeonato do Mundo, todos por países diferentes, num reflexo do impacto que a migração constante em todo o mundo tem tido no futebol.
Désiré Doué e o irmão mais velho, Guéla, são franceses de nascimento, mas enquanto Désiré, estrela do PSG, joga nos “bleus“, Guéla é um lateral de apoio na Costa do Marfim, país de onde o seu pai é natural.
Os irmãos Iñaki e Nico Williams são ambos de origem basca e Nico, de 23 anos, foi o melhor em campo da final do Europeu 2024, em que a Espanha bateu a Inglaterra.
O irmão mais velho, Iñaki, que completa 32 anos na próxima semana, também jogou pela Espanha, mas apenas num amigável, o que lhe permitiu optar pelo Gana, o país de onde os seus pais emigraram.
O defesa holandês Derrick Luckassen, de 30 anos, foi convocado à última hora para o Campeonato do Mundo e junta-se ao seu meio-irmão Brian Brobbey.
Brobbey, de 24 anos, é atacante dos Países Baixos e chega ao Mundial 2026 depois de uma boa segunda metade de temporada na Premier League, ao serviço do Sunderland.
Ambos “partilham” a mesma mãe, mas têm pais diferentes. A Austrália seleccionou o defesa-central escocês Harry Souttar, de 27 anos, enquanto o seu irmão John, dois anos mais velho, jogará pela Escócia.
Ambos nasceram em Aberdeen, mas a mãe é australiana, e Harry mudou de país há sete anos, depois de ter sido convocado para a selecção de juniores da Escócia.
Na semana passada, em Nantes, Désiré assistiu na bancada ao golo de Guéla, que inaugurou o marcador na vitória da Costa do Marfim sobre a França, por 2-1, num amigável de preparação.
“Claro que brincámos um pouco um com o outro antes do jogo”, disse Guéla aos jornalistas depois do jogo.
“No fim de contas, somos uma família e estamos muito felizes um pelo outro”.
Os dois irmãos, nascidos em Angers, no noroeste da França, deram os primeiros passos juntos no Stade Rennais, mas Guéla, três anos mais velho, foi ofuscado pelo talento prodigioso do irmão, que o levou a transferir-se para o PSG e a conquistar dois títulos consecutivos da Liga dos Campeões.
As migrações para a Europa nas últimas décadas abriram uma grande reserva de talentos para as equipas nacionais africanas, que procuram jogadores na diáspora.
Participantes no Campeonato do Mundo como a Argélia, Cabo Verde, República Democrática do Congo, Marrocos, Senegal e Tunísia têm mais jogadores nascidos na Europa no seu plantel do que nascidos no respectivo país.
A excepção dos Boateng
Só houve um caso de irmãos a defrontarem-se no Campeonato do Mundo, e aconteceu em Mundiais consecutivos.
Jérôme Boateng defendeu a Alemanha contra o seu meio-irmão mais velho, Kevin-Prince, que vestiu a camisola do Gana, numa vitória dos alemães por 1-0, em Joanesburgo.
Quatro anos mais tarde, os dois voltaram a estar em lados opostos, em Fortaleza, quando o jogo da fase de grupos terminou 2- 2.
“Foi especial, mas de alguma forma também foi diferente quatro anos depois”, disse Jérôme Boateng.
“Em 2010 foi verdadeiramente novo, algo de extraordinário. Não quero dizer que se tornou um lugar-comum, porque um Campeonato do Mundo nunca é um lugar-comum. Mas também nos defrontámos várias vezes na Bundesliga”, completou.
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