Ataques aéreos paquistaneses em três províncias afegãs mataram pelo menos 13 pessoas, incluindo 11 crianças, nesta quarta-feira, informou o Governo taliban do Afeganistão, numa renovação de um conflito que já custou centenas de vidas este ano.
Pelo menos 14 outras pessoas — todas mulheres e crianças — ficaram feridas em ataques que violaram o espaço aéreo do Afeganistão e bombardearam casas de civis nas províncias de Kunar, Khost e Paktika, disse o porta-voz dos Taliban, Zabihullah Mujahid.
O Paquistão afirmou que os “ataques calibrados” ao longo da fronteira com o Afeganistão mataram 26 militantes e foram uma resposta a uma vaga recente de ataques no noroeste do país.
“Com base em informações secretas credíveis, a intervenção selectiva de campos e esconderijos foi realizada com precisão e exactidão”, disse o ministro da Informação do Paquistão, Attaullah Tarar, na rede social X. “Quatro alvos foram completamente destruídos, incluindo um centro de treino, um esconderijo e um depósito de munições.”
Islamabade tem acusado Cabul de abrigar militantes que, segundo afirma, planeiam ataques no Paquistão. Os ataques de militantes no Paquistão quadruplicaram desde 2022, de acordo com o ACLED (Armed Conflict Location & Event Data), o ano seguinte ao regresso dos Taliban ao poder no Afeganistão.
Os Taliban têm negado as acusações e afirmam que a militância no Paquistão é um problema interno.
“Nós vamos vingar-nos”
A renovada onda de violência entre os antigos aliados ameaça perturbar um longo período de calmaria nos combates entre Islamabade e Cabul, que travaram a sua pior batalha em anos em Fevereiro.
Os dois países começaram a dialogar para aliviar as tensões em Março, com a China a tentar mediar um acordo para o conflito. Desde então, os combates diminuíram, mas continuaram a registar-se confrontos esporádicos ao longo da fronteira de 2600 quilómetros (1600 milhas).
Haji Ali Khan, um líder tribal de Khost, disse que um dos ataques aéreos atingiu a casa de um pastor local após a meia-noite, matando 10 pessoas, incluindo mulheres e crianças, numa aldeia no distrito de Spera, naquela província.
“A família cuja casa foi bombardeada é de aldeões locais. Não têm qualquer ligação com o TTP, nem sequer os conhecem”, disse, referindo-se aos Taliban paquistaneses.
“As pessoas exigem que as autoridades garantam a segurança nesta área ou, se não o puderem fazer, que permitam que a população se defenda… Ou nos sacrificamos todos, ou nos vingaremos por nós próprios.”
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