Sardinha e não só: festas e feiras para um Verão com sabor a rio e mar

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Há mar e mar, há que ir ao petisco

Choco frito, sardinha, carapau, caldeirada, ostra do Sado… Estas e outras especialidades sadinas compõem a montra que está montada no Parque Urbano de Albarquel desde 30 de Maio e que ali fica até 14 de Junho: Setúbal Pesca – Petiscos com Sabor a Mar. Está aberta das 11h às 22h e acompanha a degustação com momentos de música ao vivo e sessões de cinema ao ar livre na frente ribeirinha.

É uma das vertentes de um festival mais alargado que “homenageia as tradições marítimas, a comunidade piscatória e a profunda ligação de Setúbal ao mar”, nas palavras da autarquia. Chama-se Setúbal É Mar (nova designação da antiga Mostra das Tradições Marítimas) e passa também por exposições (Mãos com Arte e Rede de Memórias), visitas, conversas, concertos, actuações de grupos regionais, almoços-convívios, workshops, actividades para crianças e, no último dia, pela fresca, a tradicional regata de botes a remos.

Ostras sobre Rodas

Não muito longe dali, no Moinho de Maré da Mourisca, desde 4 de Junho que existe um poiso para saborear ostras do Sado. O quadro é emoldurado pela beleza natural do local, nutrido por doses generosas de descontracção e fornecido por Ostras sobre Rodas. Trata-se do projecto de um jovem empresário sadino, João de Vasconcelos Lopes, que tem conquistado clientes fiéis para a sua food truck e que acaba de se instalar junto ao moinho com os preciosos bivalves. Ali fica nos meses de Verão, aberto às quintas e sextas, das 16h às 21h; e aos sábados e domingos, a partir das 12h.

A sardinha quer-se amiga

Benavente aposta tudo no fogareiro, de onde sai a sardinha assada e à volta do qual se juntam pequenas multidões. Começou há várias décadas, como uma festa para amigos, e foi crescendo para a dimensão de uma enorme festa popular à melhor moda ribatejana. A 56.ª edição realiza-se de 25 a 27 de Junho e é alimentada por 5000 quilos de sardinhas, devidamente empoleiradas em dez mil unidades de pão, numa festa regada por 5000 litros de vinho. É “a maior distribuição gratuita do país”, assegura a organização da Festa da Amizade, que acende os fogareiros às 21h30 de domingo, para começar a oferecer os víveres exactamente às 21h56.

Além da generosidade e amizade das gentes, os habitantes e visitantes podem contar com tasquinhas, varandas e montras enfeitadas, largadas e corridas de “magníficos toiros”, grupos folclóricos, arruadas, fogo-de-artifício e animação musical a cargo de Jorge Guerreiro, Pete Tha Zouk, David Antunes e Deejay Kamala, entre outros.

Delícias dos antepassados

Arruda dos Vinhos contribui para esta carta com sabores perdidos nos séculos… Ou melhor, reencontrados. Ao longo de todo o mês de Junho, põe a mesa para a mostra gastronómica Ementa Oitocentista. O objectivo é dar a “apreciar a bela gastronomia de época”, através de “sopas, pratos ou sobremesas que deliciaram os nossos antepassados”, explica o município.

Sardinhas com ervas finas e bacalhau à provençal estão entre as propostas servidas, lado a lado com chanfana, galinha corada, língua de vaca e outros pitéus. São oito os restaurantes que as cozinham: Ao Forno, A Tasca do Russo, Cantinho d’Arruda, Moleiro’s, O Pote d’Avó Belles, Os Temperos do Rancho, Saloio e Taberna do Luís. Todos recomendam a harmonização dos manjares com outro travo enraizado numa tradição antiga: os vinhos de Arruda dos Vinhos.

Vai Formosa e com marisco

Faro espera pelo final do mês seguinte para fazer a Festa da Ria Formosa. “Venha divertir-se e comer bem”, convida o camarão desenhado no cartaz da 30.ª edição. O festim é organizado pela Vivmar – Associação de Viveiristas e Mariscadores da Ria Formosa, em conluio com aautarquia, e apoia-se em mariscadores e viveiristas locais que assim podem escoar as suas produções e contactar directamente com os apreciadores.

O festim ocupa o Largo de São Francisco, de 30 de Julho a 9 de Agosto, entre as 18h e a 1h, com entrada livre e garantia de peixe e marisco a preços acessíveis, sem esquecer o direito a animação musical diária.

A grande sardinhada à algarvia

Sem espinhas de modéstia, os maiores festivais do género emergem em Agosto, a começar pelo Festival da Sardinha de Portimão, que se espraia pela zona ribeirinha entre os dias 4 e 9. O aroma da sardinhada leva milhares até à beira do Arade, atraídos tanto pela rainha da festa — assada, no pão ou no prato, com batata cozida ou com salada à algarvia — e por um programa que contempla artesanato, doçaria, showcookings, a recriação da descarga tradicional da sardinha no cais Gil Eanes e um alinhamento de concertos que, nesta 30.ª edição, conta com Matias Damásio, Némanus, Átoa, Cuca Roseta, Fernado Daniel e Xutos & Pontapés (um por noite, sempre às 22h).

De Olhão na mariscada

Olhão não deixa os seus créditos por mariscadas alheias. Quando o assunto é saborear santolas, sapateiras, lavagantes, camarões, lagostas, amêijoas, conquilhas e ostras, seja em cataplanas, arrozes, açordas ou paellas, a cidade “cubista” é, há quase quatro décadas, ponto de encontro a nível nacional. A câmara municipal, que registou perto de 50 mil visitas ao Festival do Marisco de Olhão no ano passado, descreve-o como “uma verdadeira festa para o paladar e para a alma” e promete oferecer mais “uma experiência gastronómica inesquecível” na 38.ª edição. Está agendada para 10 a 15 de Agosto, e acontece no Jardim do Pescador Olhanense, com vista para a fonte das iguarias principais, a Ria Formosa.

Nem tudo vem do mar: a doçaria regional junta-se ao leque de sabores. O artesanato complementa o galhardete. E a animação solta-se em terra com um concerto por dia, este ano à responsabilidade de Matias Damásio, Deejay Telio, Némanus, Calema, Mariza e Daniela Mercury. Os bilhetes ainda não estão à venda, mas fica a referência de 2025: entrada diária desde 5€ para crianças (dos sete aos 12 anos) até 10€ para adultos; semanal, de 22,50€ a 45€, respectivamente.

Bacalhau com todos

Na Gafanha da Nazaré, a estrela é outra. Por obra da Confraria Gastronómica do Bacalhau (sediada em Ílhavo, capital do petisco), em parceria com a autarquia, o fiel amigo volta a dar o mote a todo um festival no Jardim Oudinot, entre 12 e 16 de Agosto. As muitas formas de o confeccionar revelam-se pelas mãos sábias de associações locais, seja em tasquinhas, bares de petiscos ou demonstrações culinárias. Os vinhos da Região Demarcada da Bairrada e o pão de vale de Ílhavo também marcam presença na degustação.

O programa paralelo, ainda por anunciar, tanto pode incluir exposições temáticas como visitas ao Navio-Museu Santo André guiadas por antigos tripulantes, bem como artesanato, jogos, actividades desportivas, oficinas, brincadeiras para os miúdos e competições tão emblemáticas como a Corrida Mais Louca da Ria ou a Volta ao Cais em Pasteleira. Os chamarizes musicais é que já são conhecidos: Quim Barreiros, Carolina Deslandes, Gabriel o Pensador, Delfins e Ricardo Ribeiro. De resto, é cantar como antigamente, nas secas tradicionais: “tau, tau, tau/ vira, vira, vira/ tau, tau, tau/ vira o bacalhau”.

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