Um golo (e um dia) inesquecível para o sul-coreano Hwang Inbeom

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O jogo estava complicado. Apesar do maior domínio da Coreia do Sul, que tinha criado as melhores ocasiões de golo, foi a República Checa a colocar-se em vantagem no jogo do Grupo A, em Guadalajara. Mas a coragem e a maior qualidade dos asiáticos haveria de ser compensada, especialmente porque Hwang Inbeom pegou na batuta para comandar o triunfo (2-1).

O arranque da 12.ª participação dos sul-coreanos num Mundial parecia comprometido por um lançamento lateral dos checos, que resultou num cabeceamento bem-sucedido ao primeiro poste (59 minutos). Só que Inbeom, que até então já tinha definido os ritmos do jogo a partir do meio-campo e não se cansava de rebocar a equipa para a frente, ainda tinha muito para dar.

E não tardou a responder. Aos 67′, criou uma obra de arte. Um passe no corredor central encontrou primeiro o pé esquerdo do médio do Feyenoord, que viu sair-lhe ao caminho um dos centrais (Hranac) e o guarda-redes (Kovar). Não se atrapalhou. Com um toque em habilidade, travou a marcha, puxou a bola para o pé direito e fez um volley para o segundo poste, igualando a partida.

“Não sou um jogador que costume ficar em situações de um contra um com o guarda-redes. Havia espaço, por isso rompi para a área. O Kangin [Lee] fez um grande passe, mas senti que não tinha ângulo”, descreveu Inbeom, no final. “O guarda-redes é tão grande que senti necessidade de encontrar um ângulo melhor. Felizmente, tanto o defesa como o guarda-redes reagiram ao meu movimento, mas ainda não consigo acreditar que marquei um golo assim num Mundial”.

Poderá revê-lo, agora, vezes sem conta, até se convencer a si mesmo. Só que ainda não tinha completado a missão nessa altura. A República Checa voltou a marcar de cabeça, num livre indirecto, mas o golo foi anulado e essa foi a oportunidade de que a Coreia precisava para consumar a reviravolta. É como se estivesse escrito nas estrelas.

Mais ainda se tivermos em conta que à hora de jogo Hwang Inbeom esteve perto de ser substituído. Uma lesão delicada afastou-o dos relvados durante algum tempo e só regressou à acção há cerca de duas semanas. Por isso, a sua condição física tem sido gerida com pinças. Em boa hora para a Coreia o médio deu a garantia ao seleccionador que poderia aguentar em campo, como revelou o técnico no fim do jogo. “Ele acabou por dar um grande contributo à equipa”.

Esse contributo só ficou completo aos 80′, quando Inbeom recebeu a bola na profundidade, no corredor direito, e arrancou um cruzamento teleguiado para o desvio oportuno de Oh Hyeonyu – também para o avançado do Besiktas o jogo foi memorável, ou não tivesse sido lançado a partir do banco um minuto antes.

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