É possível que, no actual Governo, um ministro mais competente seja capaz de “arrancar” um grande investimento ou um financiamento europeu acima do previsível. É provável que um ministério mais atrevido consiga, por exemplo nas áreas científicas, aprovar um projecto de grandes dimensões e efeitos para a economia e a sociedade. Como é previsível que um departamento oficial mais despachado possa organizar-se melhor e contribuir com mais cuidado para um qualquer serviço público. Nada é certo, mas tudo isso é possível. Só que não é suficiente para bem governar, muito menos para durar uma legislatura. Nem para encontrar consensos sociais e definir objectivos realistas. Tudo isso não basta para estabelecer os fundamentos de alguma estabilidade e garantir um módico de lealdade legislativa e executiva. O bom governo exige tempo e serenidade, não sofreguidão e artimanha. Os arranjinhos poderão disfarçar o inevitável, mas não conseguirão evitá-lo. E o que é exactamente o inevitável? É a crise de governo e de legislatura. A queda do executivo. O afundamento do primeiro-ministro. A certeza de novas eleições. A alteração dramática de alianças partidárias. É isso o que o Governo quer? É esse o grande sonho político deste Governo apostado em culpar os outros pelas suas crises, a fim de convocar eleições e delas obter, como nos velhos tempos, uma maravilhosa maioria absoluta?
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