Quando o sistema de som é a característica que mais impressiona no primeiro contacto, alguma coisa de particular há a dizer sobre a experiência de conhecer um automóvel. Há muito que estão carregados de tecnologia e características para entreter e encantar, umas vezes como principal atractivo, e noutras como um acrescento. É esse o caso.
O Mitsubishi Outlander PHEV mantém o pergaminho premium e a robustez reforçada pela imponência dos 4,72 metros de comprimento, mas tem um design que muitos podem considerar ultrapassado, seja nas linhas exteriores, seja em alguns detalhes do interior, em particular no sistema digital. Foi claramente uma opção da marca, e tem o seu público. Por outro lado, este PHEV da quarta geração do Outlander está longe de estar ultrapassado na oferta tecnológica, o que é uma espécie de paradoxo.
Parte desse desenho algo desactualizado pode dever-se ao facto de o Outlander PHEV ter chegado ao mercado europeu quase cinco anos depois de se ter estreado no Japão, e sabemos o quanto os carros evoluem em tão pouco tempo, particularmente desde o advento da digitalização (nem sempre para “melhor”, é certo).
Mas esse parece ter sido o tempo que foi preciso para ajustar a mecânica ao mercado e ao gosto dos europeus. A bateria que garante a propulsão híbrida aumentou dos 13 kW — que conhecemos na versão americana — para 22,7 kW, o que confere ao Outlander uma autonomia eléctrica de 85 quilómetros em ciclo combinado, segundo a marca. Na prática, considerando os circuitos urbanos, é possível circular exclusivamente em modo eléctrico, mantendo o consumo de gasolina abaixo de um litro por cada cem quilómetros.
DR
Esta contabilidade tem muitas variáveis porque a Mitsubishi, marca pioneira na tecnologia PHEV (Plug-in Hybrid Electric Vehicle — veículo eléctrico híbrido de ligar à corrente), além de permitir o uso simultâneo do motor a gasolina e dos motores eléctricos, pode usar a combustão para carregar a bateria. O modo desportivo activa automaticamente o motor a combustão para produzir a potência máxima.
Mas vamos aos números, que são muito simpáticos. O Outlander PHEV tem um motor a gasolina de 2.4 litros (quatro cilindros em linha) que debita 136 cv, e dois motores eléctricos, um em cada eixo: o dianteiro com 85 kW (116cv) e o traseiro com 100 kW (136cv); a potência combinada é de 302cv e 450 Nm de binário. Isto explica que o Outlander seja despachado em todas as situações, sem que a potência assuste seja quem for — mesmo no modo de condução mais desportivo —, já que estamos a falar de um SUV do segmento D com mais de duas toneladas (que é classe 2 nas auto-estradas).
Pensado para o conforto
É todo esse corpo que faz com que este seja um carro feito para viajar em conforto, quer pelo comportamento dinâmico, quer pelo espaço disponível e pela elevada qualidade dos materiais e acabamentos, com mordomias a bordo que incluem bancos eléctricos (com duas posições de memória), que recuam para nos sentarmos e avançam quando ligamos a ignição, bancos que são refrigerados à frente e aquecidos em todos os lugares; tecto de abrir panorâmico; cortinas escuras; espelho retrovisor com opção digital e head-up display. A lista é grande, estamos a falar de um carro que custa mais de 50 mil euros (mais de 60 mil, na versão mais apetrechada).
A insonorização é boa e o sistema de som (aqui vamos nós) é capaz de provocar dor física. O equipamento da Yamaha com 11 altifalantes e subwoofer que ouvimos na versão testada (Instyle) toca muito bem e alto. Não é só barulho e artifício digital, a definição é muito boa e os “espaços” sonoros (perfis) estão bem desenhados.
A tracção integral e o sistema de vectorização do binário (tecnologia S-AWC), que permite distribuir a tracção de forma independente em cada roda, oferece segurança e possibilita ao Outlander incluir uma suite de opções para todo o tipo de terrenos e condições (asfalto, fora de estrada, gelo/neve), controláveis através de um botão rotativo na consola central. O modo “normal” será o mais usado e conveniente no dia-a-dia, mas as alternativas estão lá.
O Outlander PHEV é um automóvel grande, mas fácil de conduzir, nomeadamente em ambiente urbano. A direcção assistida é muito eficiente e permite estacionar sem nenhuma dificuldade em espaços apertados — com a ajuda dos múltiplos sensores e das câmaras 360º, bem entendido.
Os consumos variam consoante o modo e a intensidade do uso. No nosso curto ensaio, fizemos uma média de 6,5l/100km em trajecto misto — 20 kWh/100 km no modo eléctrico em cidade — e nunca esgotámos a bateria por completo. A tecnologia PHEV da Mitsubishi, ao usar o motor térmico como gerador, permite que a bateria nunca chegue a zeros, e assim evitar mover o peso morto do sistema eléctrico.
O sistema de regeneração tem quatro níveis (o que nos pareceu uma opção desnecessária) e pode ser ajustada através de duas patilhas atrás do volante, um cheirinho da pretensão desportiva deste SUV. O modo “one pedal” pode ser accionado num botão dedicado na consola central.
Brad Fick
É aqui, ao volante, que esbarramos de frente com esse tal ar de “antiguidade”: o desenho do sistema multimédia está claramente ultrapassado, incluindo no mostrador principal, onde a informação aparece por vezes mal arrumada e em quantidade que nos pareceu excessiva e até de difícil leitura. Uma confusão que contrasta com a velocidade e robustez do manuseamento, seja através dos comandos físicos (que são muitos), seja pelo tacto no ecrã multimédia, é tudo rápido e funciona sem falhas aparentes. O que, se calhar, nos tempos que correm devia ser mesmo o mais importante.
Veredicto
Vocacionado para o conforto, o Mitsubishi Outlander PHEV oferece materiais de qualidade e amplo equipamento, incluindo bancos ventilados, tecto panorâmico e avançados sistemas de assistência. A insonorização é eficaz e o sistema de som Yamaha sobressai pela qualidade. Apesar da interface multimédia pouco moderna, o funcionamento é rápido e fiável. Em condução, revela-se fácil e equilibrado, mesmo em ambiente urbano, reforçando a sua proposta familiar e tecnológica.
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