Verão concentra pico dos resíduos e APA reforça apelo à separação do lixo

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A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) vai assinalar o início do Verão com uma acção de comunicação e sensibilização que percorrerá seis distritos do país, de Coimbra a Portimão, para alertar para o aumento da produção de resíduos urbanos nos meses mais quentes. A iniciativa integra a campanha “Vamos lixar o lixo”, lançada pela APA em Dezembro de 2025, com uma duração prevista de 15 meses e um investimento de 4,3 milhões de euros, num esforço assumido pela agência para alterar hábitos de separação e reciclagem e reduzir a dependência dos aterros sanitários.

O novo momento da campanha surge num período que a APA identifica como o mais crítico do ano para a produção de lixo em Portugal. Segundo os dados divulgados pela agência, entre Junho e Setembro de 2025 foram produzidos mais de 1,8 milhões de toneladas de resíduos urbanos, tendo apenas o mês de Agosto ultrapassado as 480 mil toneladas. A APA sustenta, por isso, que os meses de Julho e Agosto constituem o período mais problemático, contrariando a ideia de que o Verão representa uma pausa também no impacto ambiental associado ao consumo.

“Ao contrário do que nos diz o senso comum, o Verão é regularmente o período com maior produção de resíduos em Portugal. Este ano, é expectável que esta tendência se mantenha. No entanto, importa sublinhar que o lixo não faz pausa nem descansa durante o Verão”, afirma José Pimenta Machado, presidente da APA, citado num comunicado divulgado esta segunda-feira. A intenção, acrescenta, é envolver “as comunidades num problema que é de todos, do Algarve ao Minho”.

É neste enquadramento que a APA concentra agora a mensagem no período das férias, quando famílias e grupos de amigos passam mais tempo reunidos, em casa ou fora dela, e em que, segundo a agência, a correcta separação dos resíduos não deve ser interrompida. A campanha procura sublinhar que o aumento sazonal da produção de lixo exige maior atenção aos comportamentos quotidianos, desde o consumo até ao encaminhamento adequado dos materiais para reciclagem.

O “mural das desculpas”

A acção no terreno assume a forma de uma digressão (“roadshow”, nas palavras da APA) a bordo de um camião itinerante, com passagem prevista por Coimbra, Aveiro, Braga, Castelo Branco, Évora e Portimão, ao longo de 18 dias. A iniciativa inclui um quiz sobre separação de resíduos, um simulador de consumo sustentável destinado a identificar o perfil do consumidor, oficinas de criação de obras de arte com materiais reciclados e jogos dirigidos a diferentes faixas etárias.

A digressão será ainda acompanhada por um “mural das desculpas”, onde serão reunidas, em cada paragem, justificações apresentadas pela população para não separar correctamente os resíduos. A APA apresenta esta componente como um mecanismo provocador, pensado para confrontar a banalização do problema e desafiar a população a “justificar menos e a reciclar mais”.

O calendário divulgado pela agência começa em Coimbra, entre 19 e 21 de Junho, na Praça da República, seguindo depois para Aveiro, entre 26 e 28 de Junho, Braga, entre 3 e 5 de Julho, Castelo Branco, entre 10 e 12 de Julho, Évora, entre 17 e 19 de Julho, e Portimão, entre 24 e 26 de Julho. Em todas as cidades, a acção decorrerá à sexta-feira entre as 09h00 e as 18h00, ao sábado entre as 09h00 e as 20h00, e ao domingo entre as 11h00 e as 18h00.

A iniciativa inscreve-se numa estratégia mais vasta da agência para enfrentar um problema que classifica como estrutural. No momento de lançamento da campanha, a APA assumiu como objectivo criar um “movimento social” capaz de modificar os comportamentos dos portugueses perante os resíduos, num país onde a recolha selectiva permanece praticamente estagnada e a deposição em aterro continua a ter um peso elevado.

“O apelo da APA é claro: vamos separar o lixo antes que o futuro se lixe”, afirmou então José Pimenta Machado relativamente à campanha Vamos Lixar o Lixo.

Os dados da própria APA apontam para uma falha persistente na separação na origem, em particular no caso dos biorresíduos. Segundo a agência, Portugal não separa anualmente 1,3 milhões de toneladas de restos de comida. Para o presidente da APA, “a produção de resíduos aumenta todos os anos, a recolha selectiva está praticamente estagnada e a dependência dos aterros é ainda muito elevada”, o que faz do sector dos resíduos “um dos maiores desafios ambientais do país”.

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