Iranianos-americanos divididos entre apoio à selecção e resistência ao regime de Teerão

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Os iranianos-americanos encheram o estádio de Los Angeles, onde o Irão disputará a sua primeira partida no Mundial de 2026, a partir das 2h de Lisboa, contra a Nova Zelândia, com alguns a apelarem para que os iranianos se unissem e esquecessem a política, enquanto outros exibiam símbolos de protesto contra o Governo de Teerão.

A equipa chegou ao estádio, tendo voado para os EUA a partir da sua base de treino em Tijuana, no México, aterrando em Los Angeles precisamente quando foi anunciado um acordo para pôr fim à guerra entre os EUA e o Irão.

Em Los Angeles — lar da maior comunidade iraniana fora do Irão, muitos dos quais fugiram do país após a Revolução Islâmica — os adeptos de futebol iranianos-americanos dizem que se sentem divididos entre a emoção de ver a equipa no maior palco do mundo, a raiva pela repressão de Teerão aos manifestantes e a preocupação com a campanha de bombardeamentos de Washington.

Por volta das 16h locais (meia-noite em Lisboa), entre 300 e 500 pessoas tinham-se reunido no exterior do estádio, agitando cartazes e bandeiras antigovernamentais. Alguns membros da comunidade afirmaram que não querem assistir ao jogo, pois isso implicaria um apoio ao Estado iraniano.

Outros indicaram que irão e tentarão introduzir clandestinamente símbolos de protesto, incluindo a bandeira pré-revolucionária do Irão, que tem as mesmas cores da actual bandeira oficial, mas apresenta um motivo diferente com um leão e um sol. O Irão ameaçou suspender os jogos se forem introduzidas bandeiras não oficiais ou entoados slogans.

A FIFA, órgão que rege o futebol mundial, afirma, quando questionada sobre o assunto, que proíbe bandeiras ou vestuário de natureza política. Mas não comentou especificamente qual será a sua abordagem em relação à bandeira pré-revolucionária iraniana.

A Reuters viu adeptos a carregar a bandeira do leão e do sol ou a usar T-shirts com o símbolo a passar pela segurança sem qualquer problema. “Vou assistir ao jogo, mas não para torcer pelo Irão. Na verdade, vou vaiar o Irão”, disse Kamron, um homem de 42 anos, que ⁠apenas revelou o seu primeiro nome.

Outros adeptos envolveram-se na bandeira oficial e queixaram-se de terem sido vaiados pelos manifestantes. Alguns afirmaram que queriam concentrar-se na sua equipa — carinhosamente conhecida como Team Melli — e esquecer a política.

“Estou aqui para apoiar o Irão. Vamos ganhar este jogo”, disse Mehdi Jafari, de 57 anos, vestindo uma camisola da selecção iraniana. “Estamos muito orgulhosos do nosso país. Estamos aqui para apoiar o Irão. Acho que todos devemos deixar a política de lado e simplesmente entrar e torcer pela Team Melli.”

A participação do Irão no torneio tem sido marcada pela controvérsia, tendo como pano de fundo a guerra que começou em Fevereiro, quando os EUA e Israel lançaram ataques contra o país. No mês anterior, protestos no Irão terminaram após uma repressão sangrenta por parte do governo.

Nas últimas semanas, a selecção de futebol viu-se obrigada a mudar a sua base do Arizona para o México, enquanto a federação se queixava de que nem todos os membros da comitiva tinham recebido vistos dos EUA e de que os bilhetes atribuídos aos adeptos tinham sido retirados.

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