Depois do impacto que teve na política em 2023, o novo centro de dados a ser construído em Sines está agora a ter um efeito muito significativo em diversos indicadores económicos nacionais, tendo levado o Banco de Portugal a rever fortemente em alta as suas estimativas de crescimento do investimento e das importações em 2026.
Nas previsões para a economia portuguesa publicadas esta segunda-feira, o banco central surpreendeu ao passar a antecipar um crescimento de 4,5% no investimento este ano, quando em Março apontava para uma variação de 3,8%.
A principal razão para esta mudança está, explicou na conferência de imprensa de apresentação das previsões o director do departamento de estudos do Banco de Portugal, Nuno Alves, no investimento avultado a ser realizado em Sines, com a compra de chips e outros equipamentos, para a construção de um centro de dados de grande dimensão.
Em causa está o Sines Data Campus, da Start Campus, um projecto com um investimento global estimado entre os 8,5 e os 10 mil milhões de euros, o valor necessário para garantir a infra-estrutura de rede e a capacidade eléctrica previstas.
Entre os equipamentos a instalar estão chips de última geração da Nvidia, os semicondutores e unidades de processamento gráfico de referência para o treino de IA. Após a instalação inicial de 12.600 processadores gráficos, a empresa britânica Nscale anunciou um investimento adicional de 695 milhões de euros para integrar mais 66 mil chips “Nvidia Rubin” no campus a partir de 2027.
Com ligações ao projecto, a multinacional chinesa CALB formalizou igualmente um investimento de 2067 milhões de euros para construir uma fábrica de baterias de lítio em Sines.
Todo este investimento já contribuiu para que, no total da economia nacional, o desempenho deste indicador fosse, no primeiro trimestre deste ano, mais positivo, levando o Banco de Portugal a rever em alta as suas previsões.
No entanto, ao mesmo tempo que o investimento acelera, também as importações crescem porque, como diz o banco no seu boletim, o conteúdo importado deste investimento é de praticamente 100%.
É por isso que também nas importações, o Banco de Portugal reviu a sua previsão em alta. Em Março previa um crescimento deste indicador de 1,9% em 2026 e agora a estimativa passou a ser de 3,7%.
De igual modo, o banco viu-se forçado a rever as suas previsões para o saldo com o exterior, com a balança de bens e serviços a passar de um valor positivo de 0,6% do PIB para um valor negativo de 0,2% do PIB este ano.
O impacto no PIB acaba por ser nulo, uma vez que o contributo positivo dado pelo aumento do investimento é igual ao contributo negativo dado pelo aumento das importações. Um efeito positivo no PIB deste projecto acontecerá eventualmente no futuro, quando a economia começar a produzir.
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