Acordo para a paz no Irão prevê fundo de investimento privado de 300 mil milhões de dólares

0
2

Um fundo privado de 300 mil milhões de dólares (258.485 milhões de euros, ao câmbio actual), concebido para estimular o investimento no Irão, está previsto no acordo a assinar entre Washington e Teerão, e mais de metade desse montante já foi comprometida, disse fonte conhecedora do acordo à Reuters.

O fundo destina-se a dar a ambas as partes um incentivo económico para concluírem um acordo definitivo, afirmou a mesma fonte, que falou sob condição de anonimato por o plano ainda não ter sido anunciado. Os Estados Unidos e o Irão preparam-se agora para a assinatura do documento, marcada para sexta-feira, 19 de Junho, em Genebra.

Autoridades norte-americanas e iranianas confirmaram no último domingo ter finalizado o texto do memorando de entendimento para pôr fim à guerra entre os dois países, desencadeada pelos ataques das forças norte-americanas e israelitas ao Irão, a 28 de Fevereiro. Concordaram também com o levantamento imediato do bloqueio naval imposto pelos EUA ao Irão e com a reabertura do estreito de Ormuz, rota fundamental para o transporte e abastecimento global de petróleo e gás.

O novo fundo é um mecanismo de investimento privado — não um programa de reconstrução ou de indemnizações — e não incluirá quaisquer verbas públicas ou subvenções, adiantou a fonte, acrescentando que empresas sediadas nos EUA, nos Estados árabes do Golfo, na Ásia, na América do Sul e em África comprometeram-se a financiar o projecto.

Os investimentos prometidos abrangem os sectores da energia, logística, indústria transformadora e transportes.

Do lado iraniano, uma fonte com elevadas responsabilidades, que também optou pelo anonimato, disse à Reuters que Teerão tinha inicialmente solicitado 400 mil milhões de dólares (perto de 345 mil milhões de euros) aos Estados Unidos, como compensação pelos danos causados pela guerra, mas que Washington rejeitou esse montante.

Foi então que surgiu a ideia do fundo, que deverá chamar-se Fundo de Reconstrução e Desenvolvimento.

Empréstimos, linhas de crédito e reconstrução

O mecanismo prevê que os países da região contribuam de várias formas, começou por explicar a fonte iraniana. Estas incluem a garantia de empréstimos, a criação de linhas de crédito ou o financiamento directo da reconstrução de locais danificados pela guerra, como o complexo siderúrgico de Mobarakeh, refinarias, aeroportos e, de uma forma geral, infra-estruturas afectadas pelo conflito.

O Irão, uma das maiores economias do Médio Oriente, quase não atraiu investimento directo estrangeiro significativo nas últimas quatro décadas, tendo sido excluído dos mercados de capitais globais por sucessivas sanções impostas pelos EUA e pela comunidade internacional.

O país possui a segunda maior reserva comprovada de gás natural do mundo e a quarta maior reserva comprovada de petróleo. Conta ainda com uma população jovem e qualificada de mais de 92 milhões de pessoas, uma base industrial diversificada e um potencial significativo ainda por explorar em sectores que vão desde a petroquímica e a mineração até ao turismo e à agricultura.

O fundo de investimento é totalmente independente de uma via paralela de negociação sobre o levantamento das sanções norte-americanas e a libertação dos activos soberanos iranianos congelados no estrangeiro, adianta a fonte citada pela Reuters, descrevendo ambos como mecanismos financeiros distintos, com objectivos e prazos diferentes.

O fundo não será criado nem entrará em funcionamento até que seja alcançado um acordo final considerado satisfatório. O memorando de entendimento, uma vez assinado, destina-se a estruturar o processo ao longo dos próximos 60 dias.

“Só será criado assim que o acordo final for assinado”, afirmou a fonte. “Durante estes 60 dias, os administradores do fundo trabalharão com os iranianos e os investidores para planear e definir o âmbito dos projectos.”

Nem o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, nem o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, que ajudou a mediar o acordo relativo ao fundo de investimento, responderam de imediato aos pedidos de esclarecimento da Reuters.

Da Casa Branca, uma porta-voz remeteu para uma entrevista concedida na segunda-feira pelo vice-presidente J.D. Vance à CBS, na qual afirmou que o Irão poderá ter acesso a um fundo de reconstrução de 300 mil milhões de dólares apoiado pelos Estados do Golfo, caso cumpra um acordo com Washington, incluindo o desmantelamento do seu programa nuclear, a eliminação das suas reservas de urânio enriquecido e a aceitação de um rigoroso regime de inspecção e fiscalização.

A fonte recusou revelar de que forma o fundo será administrado ou por quem, salientando que os detalhes essenciais ainda estavam por definir.

Citou ainda empresas da Coreia do Sul, do Japão, de Singapura, da Malásia e dos Estados Unidos entre as que assumiram compromissos de financiamento, mas rejeitou fornecer uma lista completa.

O memorando de 60 dias constitui um quadro de referência, não um acordo definitivo. Espera-se que os negociadores dos EUA e do Irão trabalhem em várias frentes durante esse período, abrangendo a questão do programa nuclear, sanções e a segurança da região.

Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com