Taxa de juro e novo limite aceleram crescimento dos Certificados de Aforro

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O montante aplicado em Certificados de Aforro (CA) cresceu consideravelmente em Maio, o que se explica por duas razões fundamentais: a taxa de juro bem mais atractiva que a da média dos depósitos a prazo, mas também o alargamento dos montantes máximos aplicados por cada aforrador, que entrou em vigor a 24 de Abril. O saldo líquido de Maio (deduzidas as saídas, boa parte delas por chegada à maturidade das séries mais recentes) subiu 756 milhões de euros, face ao mês anterior, para 42.447 milhões de euros, o mais alto de sempre.

O valor aplicado em Maio fica bem acima das entradas líquidas de Abril, que foram de 537,6 milhões de euros, mesmo assim o mais alto dos últimos 12 meses, segundo dados divulgados esta sexta-feira pelo Banco de Portugal (BdP).

E o montante em Maio acaba por corresponder ao mais alto dos últimos três anos, precisamente o momento em que o montante máximo aplicado foi drasticamente cortado.

Por decisão recente do ministro das Finanças, que entrou em vigor a 24 de Abril, o montante aplicado na série F, a única que aceita novas subscrições, passou de 100 mil euros para 250 mil euros. Este era o limite que existia até meados de 2023, quando o antigo ministro das Finanças, Fernando Medina, o reduziu para 50 mil euros, uma decisão que foi entendida como uma cedência ao sector bancário, que, na altura, oferecia taxas mais baixas nos depósitos.

Joaquim Miranda Sarmento também alargou o montante máximo acumulado da série E, passando-o de 350 mil euros para 500 mil euros. Uma alteração que veio ao encontro da necessidade de muitos aforradores, uma vez que os limites anteriores os impediam de reinvestir aplicações em séries anteriores, à medida que estas chegavam à maturidade (o que passou a acontecer a partir da série C).

A taxa de rentabilidade também tem sido uma aliada deste tipo de aplicações, por ficar acima da taxa média dos depósitos. Em Maio, a taxa-base dos CA (sem prémios de permanência) subiu para 2,195%, o que compara com a taxa média de 1,44% dos depósitos (valor de Abril, o último disponibilizado pelo Banco de Portugal).

Entretanto, a taxa de juro dos CA voltou a subir para as aplicações no corrente mês Junho, para 2,215%, e deverá continuar a subir no próximo mês, tendo em conta a evolução em alta da Euribor a três meses, a que está indexada.

O que tem registado uma evolução menos positiva são as aplicações em Certificados do Tesouro (CT), outro instrumento de poupança disponibilizado às famílias pelo Estado. O saldo dos CT encolheu 220 milhões de euros, para 6751 milhões de euros.

Ao contrário dos CA, as novas subscrições de CT ficam muito longe de compensar os resgates, boa parte deles por chegada à maturidade.

Com acontece em períodos de maior apreensão das famílias quanto à evolução da economia, nomeadamente em relação à subida da inflação, a poupança aumenta e não apenas nos CA. Em Abril, o montante de novos depósitos aumentou 288 milhões de euros, para 13.398 milhões de euros, o valor mais elevado da série histórica (12.970 milhões de euros colocados no mesmo mês 2025).

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