Marrocos foi muito melhor, mas precisa de marcar mais

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Facto: Marrocos é uma equipa de top-5 mundial – é o que diz o ranking da FIFA. Facto: Marrocos foi semifinalista no Mundial 2022, eliminando as sempre altamente cotadas selecções de Portugal e Espanha. Facto: Marrocos é a melhor equipa de África – ganhou a última Taça das Nações Africanas. Impressão: esta selecção de Marrocos é ainda melhor do que a de 2026. Conclusão: Marrocos é um candidato ao título mundial em 2026, mais do que alguns dos tradicionais favoritos nestas coisas. Tem de o provar, mas está a começar bem. Empatou com o Brasil na primeira jornada, derrotou nesta sexta-feira a Escócia por 1-0 e tem a qualificação para a fase a eliminar nas mãos.

Frente a um regressado ao Mundial cujo futebol vive na sombra do seu vizinho inglês, Marrocos aceitou esse estatuto e fez por mostrá-lo em campo no imediato. Tinham passado apenas 71 segundos no Gilette Stadium de Boston e a bola já estava a entrar na baliza de Angus Gunn. Bola de saída de Marrocos, perdida por momentos para a Escócia, recuperada no meio-campo e bem tratada em algumas dezenas de toques até chegar a Brahim Diaz no flanco direito. O homem do Real Madrid endossou para Saibari e o futuro jogador do Bayern Munique fez o resto – na cara do guardião do Hearts, fez o 1-0.

Nada de surpreendente, apenas depressa e bem e a repetição da parceria do golo frente ao Brasil – assistência de Diaz e golo de Saibari. E, de repente, a Escócia, uma equipa que se tinha preparado para defender tinha de deitar o seu plano para o lixo e fazer diferente. Não estava (ainda) com cabeça para isso e Marrocos foi coleccionando aproximações perigosas, com um estilo de jogo que é, ao mesmo tempo, paciente e urgente.

Marrocos é uma selecção de transições, mas pensa muito no que está a fazer. Não tem um ponta-de-lança, mas tem um goleador. Há jogo pensado, mas também há progressão. E assim podiam bem ter feito mais três ou quatro golos depois do primeiro tal era o domínio – Saibari falhou o bis aos 10’, El-Khannouss teve duas vezes o golo nos pés. A Escócia, sem esta mobilidade nem a capacidade de pensar o seu futebol, limitava-se a ver.

Isto foi verdade até aos 40’, altura em que os escoceses finalmente mostraram alguma da sua capacidade de luta, a mesma que os trouxe de volta ao Mundial 28 anos depois. Mesmo a fechar a primeira parte, Andy Robertson, um dos craques escoceses, arrancou um belo cruzamento para a zona do segundo poste, mas McGinn falhou o remate. Ainda assim, um sinal de vida para a equipa apoiada pelo maravilhoso “Tartan Army”, o grupo de adeptos que, a acreditar nos exageros da imprensa norte-americana, bebeu toda a cerveja de Boston.

Enquanto a diferença no marcador havia uma hipótese da Escócia tirar alguma coisa deste jogo. Após o intervalo, Marrocos voltou a tentar aumentar a sua vantagem e teve situações para o fazer, como uma bola à trave de Saibiri ou um remate perigoso de El Khannous após canto de Hakimi. Mas os escoceses levaram essa esperança até ao fim, deslocando a sua “estrela”, Scott MacTominay, para avançado-centro – costuma acontecer muito e o médio do Nápoles costuma marcar.

Marrocos entrou em modo de contenção e a selecção britânica foi arriscando cada vez mais, apostando, sobretudo num estilo de jogo directo. A Escócia foi brava e batalhadora e pode orgulhar-se de ter dado alguma luta a um candidato ao título. Mas seria uma tremenda injustiça tirar os três pontos aos “Leões do Atlas”, que dominaram primeiro e sofreram depois, sempre com grande competência.

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