Em Estremoz, o festival Ciência na Rua é este sábado com dezenas de cientistas e artistas

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A nona edição da iniciativa Ciência na Rua vai decorrer este sábado (20 de Junho) em Estremoz, distrito de Évora, com a participação de dezenas de cientistas e artistas a ilustrarem experiências científicas.

O Centro Ciência Viva de Estremoz, que promove a iniciativa em conjunto com o município local e a Universidade de Évora, indica em comunicado que o evento decorre no Rossio Marquês de Pombal, no centro da cidade, a partir das 16h deste sábado e até à 01h de domingo, com entrada livre. O centro da cidade de Estremoz estará assim fechado ao trânsito e aberto à ciência e à arte.

O Ciência na Rua é um festival de ciência e arte de “características únicas”, segundo os promotores, que volta a realizar-se este ano, depois da anterior edição ter acontecido em 2014, e que conta com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência.

“Durante uma noite única e inesquecível, dezenas de cientistas e artistas voltam a invadir o centro da cidade de Estremoz recriando e experimentando sete temas fundamentais para compreendermos o nosso presente, e, principalmente, o nosso futuro”, refere o presidente da comissão científica do Centro Ciência Viva de Estremoz, o geólogo Rui Dias, citado no comunicado

Teatro, música, dança, circo, marionetas, animação de rua e dezenas de experiências científicas interactivas aguardam os visitantes, “ajudando-os a compreender o que tem a Terra de tão especial, o que nós temos de tão especial ou o que têm os nossos tempos de tão especial”, adiantou Rui Dias, para quem os espectáculos de rua apresentam “a perspectiva dos artistas sobre os grandes desafios”.

Investigadores da Universidade de Évora vão estar à disposição dos visitantes com dezenas de actividades práticas para ajudar a perceber estes desafios, acrescentou ainda o geólogo.

A companhia de Teatro do Mar apresentará o espectáculo de rua Inânia, fundindo teatro físico, dança e acrobacia
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Muito teatro, muitos espectáculos

A edição deste ano do festival Ciência na Rua tem como tema geral a “sustentabilidade insustentável”, que inclui sete grandes subtemas, “Terra, um planeta dinâmico”, “Biodiversidade: evolução versus extinções”, “Quantos somos? O que usamos?”, “A energia que nos move”, “O que sujamos? O que desperdiçamos?”, “Os nossos climas: passado, presente e futuro” e, por fim, “O que fazer?”.

Dedicados a estes sete grandes subtemas haverá sete espectáculos. Por exemplo, no tema da “Terra, um planeta dinâmico” haverá um espectáculo da companhia de teatro de marionetas Valdevinos, de Agualva-Cacém, no concelho de Sintra. Se os cientistas e as suas experiências mostrarão aos visitantes o que ainda continuamos a aprender com os planetas e as luas, lê-se no texto da programação do festival, no Auto da Criação do Mundo a Valdevinos vai falar-nos do que Aristóteles, Ptolomeu, Galileu ou até Einstein foram pensando sobre as nossas origens.

Já a companhia de teatro Absurda (de Vila Nova de Famalicão) trará, no âmbito do tema da biodiversidade, a peça Heqet, que abordará “uma outra perspectiva da evolução da vida, numa visão liberta dos constrangimentos dos processos biológicos ou geológicos que têm governado o nosso planeta”, promete-se no programa do festival, que acrescenta que “a interacção com alguns dos cientistas e experiências espalhados pelo festival mostra diversas perspectivas sobre alguns dos processos responsáveis pela maravilhosa biodiversidade” da Terra.

A companhia de teatro de marionetas Valdevinos apresentará o Auto da Criação do Mundo
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Tudo aquilo que sujamos e desperdiçamos estará bem evidente à medida que os visitantes deambularem pelo festival, uma vez que irão sendo “esmagados com as dimensões dos lixos e desperdícios da forma como vivemos”. Neste aspecto, a companhia de Teatro do Mar (de Sines) convida-nos para uma reflexão sobre o que estamos a perder e sobre os laços e valores essenciais que vamos deixando para trás, apresentando o espectáculo de rua Inânia (do latim inanis, que significa vazio, coisa sem valor ou importância), fundindo teatro físico, dança e acrobacia aérea num elenco que combina actores, bailarinos e acrobatas.

Haverá outros espectáculos ainda, a par de outras ofertas do festival. Enquanto cientistas e módulos interactivos espalhados pelo festival permitirão aos visitantes saberem mais sobre as origens do clima da Terra e como evoluiu ao longo do tempo, a companhia Pia – Projectos de Intervenção Artística (de Pinhal Novo, concelho de Palmela) apresentará o seu espectáculo O2, que desafiará os visitantes a imaginar como seria viver numa sociedade onde o acesso ao oxigénio é um luxo.

Vindos de outros países, pelo centro de Estremoz andarão também o grupo espanhol Nueveunu e a companhia francesa Rémue Ménage, dedicando-se, respectivamente, aos subtemas da energia e do que fazer.

Assim, os cientistas que andarão pelo festival ajudarão a perceber, através de experiências, não só porque somos viciados em energia e de onde vem a energia que utilizamos em quantidades colossais, ao mesmo tempo que o espectáculo de circo Sinergia Street, do grupo Nueveunu, procurará surpreender os visitantes com formas inesperadas de energia. O festival encerra, já pela 1h de domingo, com a parada luminosa Abysses, da companhia Rémue Ménage, que remete para as questões do nosso futuro, transportando a “um fascinante habitat muito para além do que poderíamos imaginar”.

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