As temperaturas vão subir a partir deste sábado em Portugal continental, com valores que podem chegar a 42 graus, alertou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) em comunicado.
O “novo episódio de tempo quente em Portugal continental”, que coincide com o início do Verão, no domingo, deve ter as temperaturas mais elevadas na terça e na quarta-feira da próxima semana.
O IPMA explica que o calor se deve à influência de uma crista anticiclónica sobre a Península Ibérica e uma depressão a oeste do continente, que resultará na chegada de uma massa de ar quente vinda do norte de África.
No continente as temperaturas máximas devem oscilar entre os 30 graus na faixa costeira ocidental e os 42 graus no interior. A temperatura mínima também vai subir, especialmente na primeira metade da semana, com grande parte do país com mais de 20 graus durante a noite.
O IPMA explica que os valores previstos, apesar de acima do normal, são “relativamente habituais nesta época do ano na maioria das regiões”, acrescentando que apenas em algumas estações na região do interior norte as previsões actuais indicam valores próximos aos máximos anteriormente registados.
No comunicado o IPMA aponta ainda para a incerteza sobre o posicionamento exacto da depressão em altitude, que pode fazer com que os valores se mantenham elevados ou fazer com que diminuam, consoante a forma como se desloca.
O IPMA aconselha as pessoas a acompanharem a situação e revela que irá actualizar o comunicado ao final da tarde deste sábado.
As temperaturas também estão a subir no fim-de-semana em grande parte da Europa ocidental, de Espanha ao Reino Unido. As autoridades de países como Espanha, França, Reino Unido, Suíça ou Alemanha emitiram alertas devido aos riscos para a saúde pública.
Em Portugal o IPMA colocou em aviso amarelo de tempo quente todos os distritos do interior a partir das 9h00 de sábado.
GNR e Forças Armadas em patrulhas no terreno
A GNR reforçou os meios para prevenção e detecção precoce de incêndios rurais face às previsões de calor intenso para os próximos dias, incluindo 210 patrulhas móveis diárias e 20 patrulhas adicionais asseguradas pelas Forças Armadas.
“Sob a coordenação da GNR, através da Directiva Integrada de Vigilância e Detecção de Incêndios Rurais (DIVDIR), todas as entidades com participação activa no Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR) estarão alerta, designadamente a própria Guarda, que irá incrementar o patrulhamento de visibilidade nas zonas florestais e agrícolas, de forma directamente proporcional ao nível de risco verificado”, refere a GNR em comunicado.
Assim, vão estar mobilizadas as várias valências operacionais da Guarda, incluindo a vertente Territorial, de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), Trânsito e Investigação Criminal, com a atenção focada nas zonas “com maiores índices de risco, histórico de ignições ou causas dolosas”.
O “expressivo reforço de meios humanos e tecnológicos” inclui um patrulhamento terrestre alargado, com activação de uma média diária de 210 patrulhas móveis e uma parceria com as Forças Armadas para integração de 20 patrulhas adicionais, 10 das quais dedicadas especificamente à zona afectada pela tempestade Kristin e as restantes distribuídas pelos distritos de Castelo Branco, Coimbra, Faro, Guarda, Santarém, Vila Real e Viseu.
Será ainda assegurada videovigilância remota, através da monitorização contínua de cerca de sete milhões de hectares através de uma rede fixa composta por 147 torres de Acompanhamento Remoto de Videovigilância Florestal, e empenhada a Rede Nacional de Postos de Vigia (RNPV), com 80 postos de vigilância activos no terreno, operados por 320 vigilantes.
O reforço do dispositivo prevê também a actuação de 23 Equipas de Manutenção e Exploração de Informação Florestal (EMEIF), com um empenhamento de 140 militares altamente especializados na gestão de informação florestal, e o recurso a drones da Unidade de Emergência de Protecção e Socorro (UEPS), apoiados por um drone de asa fixa da Força Aérea, cuja actividade em articulação com a GNR arrancou na sexta-feira.
As acções de vigilância irão priorizar os concelhos afectados pela tempestade Kristin e as zonas com maior probabilidade de ocorrência de incêndios rurais, com particular atenção a comportamentos ilícitos associados ao início de incêndios, como queimas, queimadas, uso indevido de maquinaria e outras actividades de risco.
Desde o início do ano, a GNR diz ter realizado 22.954 patrulhas no âmbito do seu dispositivo de vigilância e detecção de incêndios rurais, às quais acrescem 4151 patrulhas efectuadas pelas restantes entidades do SGIFR, num total de 27.105 acções de vigilância e detecção.
Estas acções permitiram identificar 718 suspeitos e deter 120 pessoas pelo crime de incêndio florestal e registar 3588 incêndios rurais.
O tempo previsto para estes dias corresponde ao estado instantâneo da atmosfera em Portugal, definido através de variáveis meteorológicas como a temperatura, precipitação, humidade, ou velocidade do vento. Já o clima consiste nos padrões registados ao longo de vários anos. Veja aqui mais sobre como os eventos meteorológicos no dia-a-dia podem (ou não) reflectir as alterações climáticas e como estas mudanças estão a intensificar os fenómenos meteorológicos extremos.
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