Num velho armário pintado de azul, encostado à parede, cabem todos os pertences de José Gil, 87 anos, e de Fernando Silva, 94. Meia dúzia de peças de roupa bastam a cada um destes homens, feitos amigos pela força da convivência. Há muito que deixaram de caber grandes sonhos na vida de cada um destes homens, que ali entraram rapazes, com o corpo em ferida. São os últimos “ex-hansenianos”, como lhe chamam por ali, no Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro, antigo Hospital Rovisco Pais, na Tocha, uma extensa propriedade transformada em leprosaria durante o Estado Novo.
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