O símbolo do Anamola é um punho cerrado em formato do mapa de Moçambique. Mas não é um punho cerrado vermelho ou com fundo vermelho, como historicamente seria de esperar. O verde é a cor predominante. Venâncio Mondlane vem do púlpito de uma igreja evangélica e, em Nampula, onde decorreu a primeira convenção nacional do seu partido, a Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), afirmou a uma multidão no dia da sua chegada desde o alto de um camião de som: “Meus amigos, antes de mais, vamos levantar as nossas mãos para os céus, que é para adorar, glorificar e honrar aquele que tem todo o poder nos céus, tem todo o poder na terra e todo o poder debaixo da terra, o Deus de todos nós. Uma salva de palmas para o Deus de todos nós.”
Mondlane foi eleito na manhã desta segunda-feira, no último dia da primeira convenção nacional do partido (que começou no sábado) como primeiro presidente com o voto unânime dos presentes, sem qualquer surpresa. O ex-candidato presidencial que se tornou num fenómeno popular nas eleições de Outubro de 2024, ficando em segundo e catapultando um partido sem representação parlamentar, o Podemos, para a liderança da oposição em Moçambique, destronando a Renamo, quer recuperar para si esse papel também na Assembleia da República.
O Anamola é o veículo político que servirá esse propósito a partir de agora, depois de não ter sido aceite a sua legalização para o processo eleitoral anterior, obrigando a recorrer a outra força política. O primeiro teste serão as eleições autárquicas em 2028. Mas o verdadeiro teste serão as eleições gerais de 2029, em que Mondlane pretende voltar a ser candidato presidencial.
“A votação ocorreu durante a manhã de hoje [segunda] e o presidente Venâncio Mondlane ganhou com cerca de 94,04% dos votos”, disse à Lusa Abdul Nariz, assessor de imprensa do Anamola. A eleição era um pró-forma exigido pelos estatutos, para confirmar a presidência que Mondlane já exercia interinamente desde Agosto do ano passado, quando a criação do partido foi finalmente aprovada pelo Ministério da Justiça. Ninguém esperava dissidências, nenhuma surgiu. “Todos os delegados presentes com direito a voto, votaram a favor”, explicou o assessor de imprensa.
Os três dias da convenção, em que participaram 400 delegados e dezenas de convidados nacionais e estrangeiros, começaram em showmício para banhos de multidão para se irem tornando paulatinamente mais selectivos, em termos de participantes e de visibilidade, até acabarem, esta segunda-feira, num encerramento à porta fechada, de acordo com a Lusa. A discussão das orientações estratégicas, a eleição do conselho nacional e da comissão executiva precisavam de ser mais restritas.
Na quinta-feira, na altura em que Mondlane chegou a Nampula e foi recebido por milhares e milhares de pessoas nas ruas de Nampula, no Norte de Moçambique, houve repressão policial que, segundo a Plataforma Decide, resultou em pelo menos quatro feridos, um deles por disparo de arma de fogo e os outros três por estilhaços de uma granada de dispersão.
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