A goleada imposta por Portugal ao Uzbequistão não serviu apenas para chegar aos quatro pontos e discutir o triunfo no Grupo K na última jornada, foi também útil para reforçar a confiança de uma selecção que, mesmo não tendo operado nenhuma revolução, conseguiu simplificar o caminho de acesso à baliza contrária durante todo o jogo.
“A estreia no Mundial é um passo em que é mais difícil controlar as emoções. A equipa está muito focada no que precisa de fazer. Foram dias difíceis, mas foram dias de responsabilidade. Fico muito contente, porque o desempenho esteve ao mesmo nível durante 96 minutos”, congratulou-se o seleccionador, Roberto Martínez.
Para o técnico, a ideia de jogo não muda e o que Portugal mostrou nesta 2.ª jornada do Mundial foi a imagem de uma equipa com identidade vincada. “Não é uma questão táctica. A ideia de ter bola, de reacção rápida à perda, de defender rapidamente, hoje continuámos com a mesma intensidade e fizemos isso até ao fim. Nós somos esta equipa, temos esta mentalidade”.
Em suma, mais maturidade, menos ansiedade, foi isso que Martínez registou, insistindo na ideia de continuar a dar um passo de cada vez. “A nossa análise de como a equipa está só podemos fazê-la depois dos três jogos. A Colômbia é diferente do Uzbequistão e do Congo. É importante para nós sermos melhor que o adversário, e é aqui que podemos mostrar melhor nível.”
No ataque, Martínez assume ter gostado de ver João Félix “desfrutar do jogo” depois de uma boa semana de treinos e, claro está, Cristiano Ronaldo voltar aos golos. “Era uma questão de momento. Os movimentos do ‘Cris’ são os melhores de um ponta-de-lança dentro da área, e, desta vez, a bola entrou, mas ele continua a criar oportunidades em todos os jogos, que é o mais difícil.”
Difícil foi também o adjectivo que o próprio capitão da selecção escolheu para classificar o intervalo entre o primeiro e o segundo jogos. “Foi uma semana difícil, a crítica foi muito forte, principalmente a mim, mas tenho 23 ou 24 anos de carreira e consigo suportar bem. Na crítica surge sempre uma oportunidade de melhorar e treinámos bem nesta semana, focados. O que conta é o que está cá dentro. Jogámos com o bloco alto, jogámos muito bem e a jogarmos assim é difícil pararem-nos”, revelou aos jornalistas.
Sobre o golo de Nuno Mendes, na sequência de um livre directo, Ronaldo enfatizou a importância de se ir variando a abordagem, até porque tem sido ele a primeira escolha para as bolas paradas. “No princípio, ia eu bater o livre, mas depois pensei: ‘Ele vai pensar que sou eu’, e disse ao Nuno: ‘Chuta tu e chuta forte.’”
Altamente relevante para a produção ofensiva diante do Uzbequistão foi a forma como Portugal explorou o espaço entre linhas. Era lá que estava João Félix, no seu habitat natural. “Quando as bolas entravam entre linhas, criávamos perigo. O Cristiano tendo gente à volta podemos sempre fazer combinações rápidas e eu e o Bruno podemos entrar numa segunda linha. Era importante vencer de forma convincente. Este jogo deu-nos confiança”.
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