A dieta certa para cada indivíduo

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Todos nós já ouvimos falar de dietas milagrosas, shakes incríveis e exercícios definitivos para emagrecer. Hoje, medicamentos que imitam o hormônio intestinal GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, dominam o desejo de quem sonha em ter um corpo mais esguio sem precisar contar calorias ou se matar de fazer exercícios físicos.

A indústria do emagrecimento fatura até 350 bilhões de dólares por ano, sendo que, desses, os remédios baseados no GLP-1 já somam cerca de 70 bilhões e suas vendas estão em crescimento vertiginoso. Esses medicamentos simulam o hormônio GLP-1 que, entre outras coisas, envia ao cérebro um sinal de saciedade e estimula a liberação de insulina. (Não vamos esquecer que eles foram originalmente criados para controlar o diabetes.) Ou seja, a pessoa fica sem fome e come menos. Por isso emagrece.

Esses medicamentos funcionam surpreendentemente bem, mas não servem para todo mundo. Primeiro, sempre devem ser recomendados por um profissional de saúde. Depois, podem ter vários tipos de efeitos colaterais, alguns ainda não descobertos, já que são muito recentes. Como diz uma amiga: somos todos porquinhos-da-índia nessa pesquisa com seres humanos. Além disso, eles não ensinam as pessoas a comer de maneira a não engordar mais, ou seja, se não forem usados para o resto da vida, a possibilidade de o usuário voltar a ganhar peso é bem grande.

De qualquer modo, a ideia que eles passam parece muito simples: para emagrecer, basta comer menos. Não deixa de ser verdade. Só que todo mundo que já tentou perder mesmo que só alguns quilinhos sabe que o mundo real não funciona tão bem assim. O problema é a biologia: nosso corpo, nossa mente e nossos desejos são muito complexos. Além disso, somos seres únicos, com metabolismo, quantidade de gordura e de músculos, estrutura óssea e principalmente microbiota – os mais de 100 trilhões de seres que habitam nosso intestino -, extremamente diversos.

Por esse motivo, duas pessoas com a mesma altura e peso podem seguir uma dieta igual e alcançar resultados diferentes. Este estudo mostra, por exemplo, que a composição da microbiota e sua relação com a genética e mesmo com o ambiente são importantes na compreensão de como funciona o processo de ganho e perda de peso. Só que, como as pesquisas com microbioma são recentes, até os cientistas concordam que falta muito para que essas influências sejam totalmente desvendadas.

O gastroenterologista e professor da Universidade de Washington Chris Damman traduz a ciência do microbioma em decisões práticas sobre alimentação e saúde em sua página da internet. Neste artigo, Damman explica que até pouco tempo a ciência da nutrição entendia que nossos corpos respondiam de maneira previsível aos nutrientes. Por exemplo, o carboidrato sempre aumenta o açúcar no sangue, as gorduras saturadas influenciam o colesterol e a proteína ajuda a construir músculo.

Só que esse tipo de visão não leva em conta o fato de que, como o microbioma de cada pessoa é composto por seres variados, a maneira como os nutrientes serão recebidos, como irão atuar e no que eles vão se transformar é diferente. Como os cientistas ainda estão engatinhando no mapeamento da enorme diversidade de micróbios que habitam nossos intestinos, ainda não temos ideia de como cada composição reage aos nutrientes.

Segundo Damman, o que podemos saber é, por exemplo, que pessoas com uma composição específica de certos tipos de bactérias perderam mais peso em dietas com mais fibra do que outras. Ou seja, a mesma alimentação considerada saudável produziu sinais diferentes de saciedade e de resultados metabólicos dependendo das bactérias do microbioma de cada indivíduo.

Por isso, da próxima vez que sua prima ou seu amigo disser que você precisa tentar a dieta tal, a redução de carboidratos, o jejum intermitente de 14 horas ou o que quer que seja porque funcionou incrivelmente bem para ela/ele, saiba que essa maravilha pode não ter o mesmo resultado com você e que isso não é sua culpa. Como expliquei neste artigo, é possível dar uma forcinha para ajudar nossa microbiota a permanecer saudável. A partir daí, é preciso encontrar o tipo de alimentação que funciona para você manter o peso que deseja de acordo com a composição da sua microbiota.

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