A esperança que Bad Bunny traz aos latinos que desesperam às mãos do fascismo de Trump

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Bad Bunny foi anunciado como a estrela do half time show no ano passado. Trump considerou a escolha do porto-riquenho “absolutamente ridícula”. Os seus apoiantes afirmaram ainda ultraje por este”não ser americano” e por “cantar em espanhol”. Obviamente desligados de qualquer conceito geográfico e em jeito de ultranacionalista, pois Bad Bunny é americano. Trump disse ainda que não o conhecia, isto quando Bad Bunny apresenta ainda maior popularidade do que qualquer jogador que pisa o campo no Superbowl.

Para além do mais aparentaram certa amnésia retrógrada, irónico não se lembrarem da própria história do país.

Desde o ano 2000 até agora, 50% dos healdliners não tinham nacionalidade norte-americana.

Todos os olhos estavam sobre este halftime show. Principalmente após ameaças. Três dias após o anúncio de Bad Bunny como headliner, Corey Lewandowski, um funcionário da Administração Trump, afirmou que agentes do ICE estariam presentes no jogo. “Não existe lugar nenhum onde se possa oferecer refúgio seguro a pessoas que estão ilegalmente neste país. Nem no Super Bowl, nem em lugar nenhum”.

O dia chegou e que Baile Inovidable Benito nos apresentou. Desde uma cenografia à coreografia estrondosas e arrebatadoras, Bad Bunny mostrou-nos um espectáculo movido a música e a significado. Não passaram despercebidas as coloridas bodegas porto-riquenhas em Nova Iorque, o icónico quiosque cor-de-rosa “La Casita”, as bancas de piragua, coco frio e tacos, e representações dos campos de cana-de-açúcar verdejantes da ilha.

Estas cores vibrantes adereçam a realidade que Bad Bunny não quer descurar e esconder. O espectáculo tem o seu início conjunto com a lida dos trabalhadores rurais e as dificuldades do seu povo. Já ao som de El Apagón, quando este subiu a um poste de electricidade, apontou para os cortes de energia que a ilha sofre regularmente devido a uma rede eléctrica obsoleta e à vulnerabilidade da ilha a desastres naturais. A canção é uma forte crítica à negligência e ao desleixo dos governos de Porto Rico e dos Estados Unidos em relação à ilha.

Em um outro ponto do espectáculo, a câmara desloca-se para uma sala de estar e vemos uma mãe, um pai e um filho a assistir ao recente discurso de agradecimento de Bad Bunny nos Grammy no qual declarou: “ICE out”. Aqui, Bad Bunny entrega então o seu Grammy ao rapaz, que pode ser interpretado como uma versão mais jovem do artista ou das gerações futuras que se lhe seguirão. Pelo contexto da cena, está a ser apontado como homenagem ao rapaz de cinco anos, Liam, que foi detido pelos serviços de emigração este ano.

A positividade extravasa de Bad Bunny e quem não gosta de fazer parte de uma festa? Bad Bunny terminou a sua actuação dizendo “Deus abençoe a América” e, de seguida, nomeou todos os países da América do Norte, Central, do Sul e Latina, sublinhando que “América” não significa apenas os Estados Unidos. Ele é Americano. O ponto final do artista foi a frase: “Continuamos aquí”, com o arrematar electrizante de uma bola de futebol americano no qual está impressa a frase “Together, we are America”.

É bonita a esperança que Bad Bunny traz às comunidades latinas que desesperam às mãos do fascismo de Trump. Se um mundo plural e positivo é “controverso” para a administração, não há melhor altura para o celebrar e dizer máximas condizentes. Como esteve escrito num gigante cartaz no fim do concerto, pousado sobre o estádio em fotografias dignas de concurso ao Pulitzer, “The only thing more powerful than hate it’s love”.

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