Muito se tem falado e escrito sobre o afastamento, que se materializa em votos, do PS face às gerações mais novas. Não é apenas o voto, se bem que isso seja importante, mas é, sobretudo, a incapacidade de fazer chegar a essas faixas etárias a mensagem e as propostas de sociedade e respetivas medidas para a alcançar.
Quando falamos de política, falamos da capacidade de transmitir ideias de sociedade e formas de resolução de problemas, desenhando um futuro comum. A comunicação é central para que se consiga chegar àqueles a quem se quer transmitir ideias e ideais. Sem essa capacidade, nada acontece porque nada é entendido; não é criado diálogo.
Hoje, e isto é muito claro para quem trabalha com jovens, o socialismo não diz nada aos nossos concidadãos em início de vida profissional e autónoma. E, sejamos honestos, não lhes diz nada porque representam, em primeiro lugar, os sucessivos governos do PS como responsáveis pela falta de horizontes a que são obrigados. Mas, também, porque nem sequer entendem o que é o socialismo hoje, o que é ser de esquerda.
E a raiz do problema está em vários fatores, especialmente, em dois. Um, o mais natural e inevitável, diz respeito ao normal correr do tempo e às mudanças de linguagem que o devir da história acarreta: mudam os léxicos e as referências. Mas, também, porque ao mudar a sociedade, ao mudarem as tecnologias, as dinâmicas de emprego e os anseios de cada geração, mudam os próprios conceitos com que se pensa a sociedade; não é apenas uma mudança de léxico, mas uma mudança mais profunda de categorias de pensamento.
Podemos ter a tentação de reduzir o problema de comunicação com as gerações mais novas às formas de comunicação, esperando que uma forte presença nas redes sociais crie uma empatia quase imediata. Sim, isso é válido, mas o mais importante é conseguir, de facto, chegar aos cidadãos, conseguir dialogar com eles.
Nas gerações mais novas, que não viveram a ditadura ou a sua memória direta, que cresceram com a certeza desenvolvimentista de uma melhoria constante das condições de vida, o socialismo tem de ser reinventado em termos de linguagem. Há que saber, junto dos jovens, o que entendem por um socialismo que seja resposta para os seus problemas, mediado por uma linguagem que espelhe a sua cultura social.
Não há que reinventar o socialismo nas suas ideias basilares, mas há que reinventar a linguagem com que o recheamos para que ele seja entendido como base para um projeto de futuro. Esse é o grande desafio que se nos coloca à frente: tornar contemporâneo aquele que é o nosso maior património político, fazendo com que não se transforme numa peça de museu, mas continue a ser operativo junto da cidadania.
E a metodologia a usar é obrigatoriamente aquela que nos leve para junto dos mais jovens, pedindo que sejam eles a dizer-nos o que deve ser, para eles, o socialismo. Um socialismo que, sem perder o que é inalienável, seja atual e, com isso, atuante.
Essa nova linguagem não a faremos nós. Farão os próprios cidadãos, dando-nos eles mesmos as ferramentas para nos reinventarmos.
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