O que faz um homem sentado num divã estreito, numas águas-furtadas em Paris, com um livro abandonado sobre os joelhos, numa tarde de quinta-feira? O homem tem vinte e cinco anos, vinte e nove dentes, três camisas e oito peúgas — seis delas transformadas em “tubarões moles” nadando na água de uma bacia de plástico cor-de-rosa. Tem alguns livros que já não lê e alguns discos que já não ouve. Importa saber que é uma tarde de quinta-feira e que o livro que o homem pousou sobre os joelhos está “aberto na página cento e doze”? Tudo importa e nada importa, porque o homem acaba de resvalar para um radical exercício de indiferença aplicada e supõe, talvez, tornar-se por esta via “o senhor anónimo do mundo, aquele sobre quem a história já não tem poder” (p. 72).
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