Antes de se distribuírem as primeiras medalhas em Milão-Cortina, os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 já têm vencedores no que diz respeito à moda. Nesta 25.ª edição, com cerimónia de abertura nesta sexta à noite, os uniformes das delegações assumem um papel de destaque e reflectem um cruzamento entre tradição e inovação estética. E o destaque deste ano vai para a designer italiana haitiana Stella Jean, que criou os uniformes da equipa do Haiti.
A criadora, que já tinha assinado os visuais da delegação para os Jogos Olímpicos de Paris 2024, concebe peças que combinam design contemporâneo com referências culturais fortes.
Numa primeira abordagem artística, os uniformes incluíam a imagem do herói revolucionário Toussaint Loverture, que criou a primeira república negra do mundo em 1804, uma escolha inspirada na pintura de Edouard Duval-Carrié. Começou por projectar uma ideia de orgulho nacional, resistência histórica e afirmação cultural de um país que raramente ocupa o centro do palco olímpico, através de referências à Revolução Haitiana, à herança afro-caribenha e à memória colectiva do Haiti, explica a Associated Press.
No entanto, o Comité Olímpico Internacional exigiu a remoção de qualquer símbolo considerado político e a solução passou por manter apenas o cavalo vermelho galopante da obra original como elemento central dos uniformes, acompanhado pelos estampados tropicais e o nome “Haiti”. Trata-se de uma política da representação ao mostrar que o Haiti existe, cria, compete e carrega uma história própria.
Também a Mongólia se destaca no desfile, com trajes criados pela marca Goyol Cashmere. Inspirados nos deels (ou túnicas) usados durante o Império Mongol entre os séculos XIII e XV, os uniformes combinam tradição e funcionalidade. Sob o mote “O que carregamos no Inverno, carregamos para o mundo”, os conjuntos apresentam gola alta, aberturas estratégicas para movimento e tons escuros que evocam a terra do eterno céu azul, como é conhecido o país.
O chapéu alto com pêlo remete aos capacetes dos guerreiros mongóis, enquanto as sweaters e os detalhes em seda reforçam a herança cultural e trazem elementos históricos para o cenário contemporâneo dos Jogos Olímpica. A marca realça na sua publicação do Instagram que o objectivo é “reintroduzir a antiga cultura do vestuário mongol, parte inseparável da sua grande história e património cultural, no mundo contemporâneo e partilhá-la num palco global”.
Os Estados Unidos mantêm a sua estética clássica, com Ralph Lauren a vestir a equipa pela décima vez consecutiva. O casaco de lã branca, adornado com fechos de madeira e os tradicionais elementos da bandeira americana, combina simplicidade e elegância patriótica.
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Já o Canadá traz tradição com Lululemon através do típico casaco estilo puffer com a popular folha bordo. Explora padrões topográficos inspirados nas paisagens naturais do país através de uma paleta de tons profundos e um design técnico que reflecte uma abordagem contemporânea, onde performance e estética caminham lado a lado.
A inovação técnica ganha ainda maior protagonismo com a Áustria, cujos atletas olímpicos e paralímpicos vão competir equipados pela AlphaTauri, marca de moda técnica ligada à equipa de Fórmula 1 da Red Bull. Inspiradas nas paisagens alpinas, as peças apresentam padrões gráficos em tons de cinza e branco, com apontamentos em vermelho, e foram desenvolvidas em estreita colaboração com os atletas. O snowboarder Benny Karl salientou nas redes sociais que a marca “criou algo realmente especial, funcional, elegante e adaptado às necessidades exactas dos atletas”.
Itália, que é a anfitriã dos Jogos, opta pelo minimalismo branco com Emporio Armani – a linha de pronto-a-vestir de Giorgio Armani (1934-2025). Inspirados nas Dolomitas, os uniformes combinam cortes modernos com bordados discretos e referências ao hino nacional, de forma a equilibrar tradição e sofisticação urbana.
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A Noruega mantém igualmente a sua assinatura através da Dale of Norway ao reinterpretar as famosas sweaters de lã com padrões nórdicos e cortes actuais, reafirmando a identidade cultural da equipa.
Outras delegações não ficam para trás na diversidade de propostas. O Brasil, com Moncler e Adidas, e a Austrália, com Sportscraft, apresentam uniformes que equilibram conforto, desempenho técnico e elementos patrióticos discretos.
França (designer Stéphane Ashpool e Le Coq Sportif) e Grã-Bretanha (Ben Sherman e Adidas) exploram materiais tecnológicos e padrões criativos, mostrando que a estética olímpica pode ser também um laboratório de design.
Portugal estará presente nos Olímpicos, com três atletas: Vanina Guerillot e Emeric Guerillot em esqui alpino; e José Cabeça em esqui de fundo.
Além da estética, a visibilidade digital está a transformar a forma como os uniformes são recebidos. No TikTok e no Instagram, os fãs partilham unboxings dos kits, try-ons de styling na Vila Olímpica e comparam delegações. Estes conteúdos mostram que a moda olímpica se tornou um fenómeno cultural global, capaz de atrair atenção paralela às medalhas e às provas.
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