A Mulher Desarvorada: atriz brasileira mostra o caos da maternidade em peça

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Quando se viu com um filho pequeno, trancada em casa com o marido, durante a pandemia, a atriz brasileira Tati Pasquali, 43 anos, se sentiu sobrecarregada ao ter de conciliar a maternidade com as tarefas do dia a dia da família em Portugal. Entretanto, como ela também é produtora e dramaturga, não perdeu tempo e transformou o que muitas mulheres como ela sentem, principalmente após dar à luz, na peça A Mulher Desarvorada, que fica em cartaz de quinta-feira (5/03) a domingo (8/03), no Teatro Ibérico, em Lisboa.

O espetáculo faz parte do projeto Elas em Movimento, que tem o apoio da Embaixada do Brasil em Lisboa, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher (8/03). Além da peça, o projeto promove, nesta sexta-feira (6/03), um workshop e, no sábado (7/03), uma roda de debates. Para encerrar as comemorações, a cantora brasileira Camila Masiso apresenta o show Vozes em Travessia, no domingo (8/03), às 21h, na Casa Capitão.

Tati, que estreou A Mulher Desarvorada no ano passado, fala sobre o seu trabalho e a programação do mês da mulher. “A peça mostra a sobrecarga física e mental que a mulher sente quando tem um filho, e, no meu caso, ainda mais forte, a solidão também. Eu sou imigrante em Portugal, onde não tenho nenhuma rede de apoio”, conta ela, que se inspirou no livro A Mulher Desiludida, de Simone de Beauvoir, para escrever a peça. “Eu falo mais da questão da maternidade, mas é um livro de 1967 que ainda é muito atual”.

O cenário de A Mulher Desarvorada, frisa a atriz, é uma casa, com cozinha, lavanderia. “Em cena, tem um varal de roupas, tem um forno, onde eu faço um bolo. Isso para mostrar como a mulher trabalha muito quando está em casa. Há pessoas que têm mania de achar que isso não acontece, mas a gente trabalha para caramba”, exclama.

Ficção com realidade

Numa mistura de ficção com realidade, a artista, que nasceu em Curitiba, acredita que toda família tem alguém que está passando ou já passou por essa experiência. “Existe um sistema milenar de mulheres vivenciando esse tipo de coisa. Essa função do lar, esse lugar onde o lar pertence à mulher e onde a parentalidade pertence muito mais à mulher do que ao homem”, frisa.

Tati relata que com o lockdown não conseguia nem deixar o filho na creche. “Elas abriam e fechavam o tempo todo, o que era normal por causa da pandemia”, relembra. “Então, senti uma sobrecarga, porque o meu companheiro precisava trabalhar, alguém precisava trabalhar em casa, e eu fiquei com todas as tarefas domésticas e da maternidade. Ainda por cima, enfrentando uma depressão pós-parto”, acrescenta.

A intérprete garante, porém, que a peça também tem doses de humor. “Mas eu nunca sei se estão rindo porque acharam engraçado ou se estão rindo de nervoso”, brinca.

Sociedade machista

Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher (8/03), a atriz aponta que, apesar de tantas conquistas ao longo dos anos, o sexo feminino continua muito atrelado ao papel que a sociedade impõe. E ela faz uma comparação entre o seu país de origem e o que escolheu para viver há oito anos.

“Eu acho que o Brasil está muito mais avançado do que Portugal em relação aos direitos das mulheres. Há vários exemplos, como a guarda compartilhada dos filhos, a pensão alimentícia. A própria sociedade portuguesa é muito mais machista que a brasileira, tanto os homens quanto as mulheres”, compara.

E acrescenta: “Creio que, na semana do Dia Internacional da Mulher, é muito bom a gente falar sobre essa sobrecarga materna, sobre o corpo da mulher, sobre a forma como nos vemos diante de tudo isso”.

Avenida Brasil

A programação pelo mês da mulher, em parceria com a Embaixada do Brasil em Lisboa, promove ainda nesta sexta-feira (6/03) um workshop com a cineasta Thays Prado, que é fundadora do Feminist Futures, às 18h. Já no sábado (7/03) rodas de conversas com nomes como Ana Paula Costa, presidente da Casa do Brasil em Lisboa, acontecem das 14h às 18h, também na Casa Capitão. Os eventos, com exceção da peça de teatro, têm entrada gratuita mediante inscrição prévia no formulário online.

“Além de fazer o espetáculo, vamos promover debates, falar sobre os assuntos abordados na peça, sobre o futuro das mulheres. Vamos abrir o microfone para quem estiver lá. Sei que é clichê falar isso, mas será uma conversa de mulher para mulher”, frisa Tati, que fez questão que a trupe de A Mulher Desarvorada fosse formada apenas por mulheres. “Convidei amigas, mãe imigrantes e portuguesas, para fazer parte da equipe artística da peça”, orgulha-se.

E, para quem assiste à reprise da novela Avenida Brasil, na TV Globo Portugal, Tati, que começou a fazer teatro aos 14 anos, aparecerá nos próximos capítulos como mãe de Carminha (Adriana Esteves).

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