Administração Trump investiga contratos da era Noem na Segurança Interna

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A inspecção-geral do Departamento de Segurança Interna norte-americano abriu uma investigação à adjudicação de contratos durante a liderança da ex-secretária Kristi Noem, demitida este mês pelo Presidente Donald Trump, noticiou nesta quinta-feira a CNN. Corey Lewandowski, conselheiro de Noem e antigo director de campanha de Trump em 2016, também é visado no inquérito.

As suspeitas sobre os contratos do departamento e os seus alegados beneficiários foram um dos principais factores a ditar o afastamento de Noem. Entre as adjudicações suspeitas está uma campanha de publicidade institucional que custou cerca de 220 milhões de dólares ao erário público, que teve Noem como sua protagonista, e que foi produzida por um empresa de marketing político detida pelo marido da antiga porta-voz do departamento, Tricia McLaughlin.

Questionada no Congresso, Noem tinha alegado que a campanha tinha sido aprovada por Trump, que prontamente desmentiu a secretária.

O inspector-geral da Segurança Interna, Joseph Cuffari, tinha-se queixado perante o Congresso em Março de que a anterior liderança do departamento estaria a obstruir as suas diligências. Estava em curso na altura uma auditoria aos contratos do departamento com entidades externas. Markwayne Mullin, o novo secretário norte-americano da Segurança Interna, cuja nomeação foi confirmada na segunda-feira, tinha já afirmado que iria cooperar no apuramento de responsabilidades por eventuais irregularidades.

Noem tinha centralizado no seu gabinete a aprovação de quaisquer gastos superiores a 100 mil dólares, durante um período em que o departamento geriu mais de 100 mil milhões de dólares no quadro da vasta ofensiva anti-imigração e de segurança fronteiriça do ICE, sob sua tutela. Parte das verbas foi aplicada na construção de centros de detenção de imigrantes, na contratação de efectivos do ICE ou em voos de deportação.

Sem estar oficialmente designado como tal, Lewandowski agia como chefe de gabinete de Noem e exercia uma influência desmedida em todo o departamento, incluindo na adjudicação de contratos. Terá também partido de si a nomeação de Gregory Bovino, um operacional da guarda fronteiriça, para o comando da polémica missão do ICE em Mineápolis, pautada pela morte de dois cidadãos norte-americanos e por inúmeros casos de violência policial.

A imprensa norte-americana, nomeadamente o New York Post, alega que Noem e Lewandowki mantinham uma relação extraconjugal, e que o suposto casal levava uma vida de luxo com recurso a património do departamento, incluindo um avião com uma suite privativa.

A demissão de Noem seguiu-se também a inúmeros sinais de um crescente descontentamento do eleitorado, incluindo no campo republicano, face à violência das operações do ICE. Já em Fevereiro, 58% dos inquiridos para uma sondagem do Washington Post e da ABC News indicava que “Trump foi longe demais” na campanha de deportações.

A 19 de Março, o Wall Street Journal noticiava que Trump tinha pedido ao seu executivo para recentrar a ofensiva anti-imigração na perseguição a criminosos e para evitar a repetição de cenas de desordem e caos em cidades norte-americanas, após meses de confrontos mediatizados em metrópoles como Mineápolis, Los Angeles ou Portland.

Os Estados Unidos deportaram mais de 600 mil imigrantes em 2025, ano em que o país obteve o seu primeiro saldo migratório negativo em 90 anos.

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