“Mais hangares, mais saídas e mais mangas.” O aeroporto Francisco Sá Carneiro está a preparar a sua expansão, com os olhos postos nos 30 milhões de passageiros, quase o dobro do que tem actualmente (17 milhões), e vai fazer algumas obras nos próximos meses para impulsionar esse crescimento. Há a possibilidade de “mover a pista para nascente, para permitir que o terminal seja alargado” e o número de movimentos por hora, agora com um máximo de 24, vai aumentar para 26 depois do Verão. “Em 24 horas é muita coisa”, disse Pedro Duarte aos jornalistas, no final de uma reunião à porta fechada entre a Área Metropolitana do Porto, que preside, e a Vinci Concessions, empresa francesa gestora dos aeroportos portugueses.
O aeroporto assinalou 80 anos esta segunda-feira, inaugurando um novo centro de coordenação de operações e uma pista principal renovada, num investimento de 50 milhões de euros. Aos autarcas da AMP foi dada a garantia de que o aeroporto tem “capacidade de resposta” para o crescimento previsto nos próximos dois a três anos, mas está já a pensar no que se segue. O plano de expansão, que deverá estar fechado até ao fim do ano e que fora anunciado pelo Governo há dias, prevê um crescimento “até ao dobro” do que existe hoje.
O plano passa por acompanhar a procura e ir adaptando a infra-estrutura. “Se a procura aumentar rápido, será rapidamente, se aumentar lentamente, será lentamente”, apontou Pedro Duarte, falando em “perspectivas muito animadoras do que pode acontecer nos próximos meses e anos”. É que existe já o “compromisso de várias companhias aéreas de aumentar o número de rotas e destinos a partir do Porto”, congratulou-se. “Isso acontece com a TAP, mas também com muitas outras companhias, para destinos de longo curso, como os Estados Unidos, Canadá, ou até Ásia, América do Sul e África.”
O planeamento desta expansão agradou aos autarcas, sobretudo num tempo em que vêem o aeroporto da capital “muito saturado”. Uma oportunidade para o “desenvolvimento para toda a região [Norte]”, disse o presidente da AMP, colocando a meta num patamar ambicioso: fazer do Sá Carneiro “o hub mais importante e relevante para todo o Noroeste Peninsular e até do País”.
O Porto tem “todas as condições para competir com o aeroporto de Lisboa no muito curto prazo”, apontou o autarca, colocando esse horizonte temporal nos dez anos. “Vai ser muito importante para equilibrar o país.”
Para esse crescimento, é preciso repensar também a mobilidade em torno da infra-estrutura, admitiu, perante a pergunta dos jornalistas. O tema fez também parte da conversa, revelou, nomeando “nós de acesso”, sobretudo a partir da Maia e Matosinhos, e a ligação à alta velocidade, que terá uma estação no aeroporto. “A linha que irá de Lisboa até o Porto e do Porto até Vigo passará no aeroporto, e isso será importante naturalmente para aquilo que é a procura”, afirmou.
E como se conjugam os planos de crescimento de um aeroporto com o turismo sustentável, sabendo que o transporte aéreo é muito poluidor? “Ainda não se encontrou uma alternativa”, admitiu o autarca do Porto, que garantiu estarem pensadas medidas para “mitigar” esse impacto. A ANA poderá, por exemplo, aumentar as taxas para companhias com aviões mais poluentes e diminuir para as que fizerem a aposta contrária, incentivando, dessa forma, que nas rotas que vêm para a cidade sejam usados veículos menos poluentes.
Na cerimónia de celebração dos 80 anos do aeroporto do Porto, Luís Montenegro advertiu a Vinci que “é possível fazer mais e é possível fazer mais depressa”, tanto no Porto como em Lisboa, Faro e regiões autónomas. O primeiro-ministro, citado pela Lusa, garantiu ainda que a privatização da TAP só avançará depois de estar garantido o reforço da actividade da companhia em todos os aeroportos nacionais. “É uma exigência da qual o Estado português não vai abdicar”, disse o primeiro-ministro.
Para o avanço desse processo de privatização – que prevê 49,9% do capital da companhia, 5% destinado aos trabalhadores – o Governo quer manter a aposta no aeroporto da capital, mas também reforçar o do Porto, Faro e regiões autónomas.
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