O chanceler alemão, Friedrich Merz, foi reeleito líder da União Democrata-Cristã (CDU) com uma percentagem “surpreendentemente alta”, na descrição da estação de televisão pública ZDF: Merz, que tomou posse como chanceler em Maio de 2025 depois de um estrondoso falhanço (não conseguiu ser eleito à primeira tentativa, algo inédito), e que chefia um Governo pouco popular, recebeu 91,2% dos votos no congresso da CDU, que se realizou esta sexta-feira e sábado em Estugarda.
No seu discurso, Merz disparou contra a AfD, o partido que foi considerado de extrema-direita pelos serviços de informação interna mas que está a desafiar a classificação em tribunal, e que protagonizou um escândalo recente de familiares de membros trabalharem para o partido, começando com cinco familiares de um deputado do parlamento estadual da Saxónia-Anhalt e seguindo-se vários outros casos. A Saxónia-Anhalt é um dos estados que vão a votos este ano e onde a AfD está com uma grande vantagem nas sondagens, especulando-se que pode mesmo chegar a governá-lo, o que seria uma estreia para o partido na Alemanha.
“Agem como se fossem uma alternativa ao centro, mas na verdade, servem apenas os seus próprios interesses”, disse Merz da AfD, prometendo, por isso, não ter qualquer colaboração com o partido.
“Não vamos permitir que estas pessoas da chamada Alternativa para a Alemanha arruínem o nosso país”, afirmou, dizendo que irá procurar acordos exclusivamente no centro político.
Pouco antes de ser eleito chanceler, quando estava ainda na oposição, Merz fez uma proposta legislativa sobre migração que foi aprovada com votos da AfD, uma quebra de tabu que fez ondas na política alemã (e que se pensa poder ter sido um dos factores para que alguns deputados da própria coligação tenham votado contra ele).
Merz acrescentou ainda que o país tem “um fascínio” com uma abordagem de “segurança e ordem” que pode levar ao autoritarismo. “A nossa história mostrou-nos que isso leva a tragédia”.
No seu discurso, Merz admitiu erros, algo visto também como surpreendente pela imprensa alemã.
“Admito que talvez, após a mudança de Governo, não tenhamos deixado suficientemente claro que não iríamos conseguir concretizar este enorme esforço de reformas de um dia para o outro”, declarou, prometendo avançar com diminuição da burocracia, medidas para baixar os custos de energia e reformas no Estado social e pensões.
Merz foi aplaudido durante cerca de 10 minutos, descreve a Reuters, com os delegados a evitarem mostrar divisões internas. A anterior chanceler, Angela Merkel, que em tempos teve uma relação de rivalidade com Merz, esteve pela primeira vez num congresso da CDU desde que deixou a chancelaria, e também foi muito aplaudida.
O primeiro dia de Merz como chanceler, 6 de Maio de 2025, começou com um acontecimento inédito: foi a primeira vez que um candidato a chanceler não conseguiu os votos suficientes dos deputados para ser eleito, apesar de ter uma coligação maioritária; foi necessário levar a cabo uma segunda votação no mesmo dia.
Menos popular do que “semáforo”
E quase um ano depois das eleições antecipadas que ditaram a saída da anterior coligação liderada pelo social-democrata Olaf Scholz e que incluiu os Verdes e o partido Liberal Democrata (e que foi uma estreia na política alemã), o diário de grande circulação Bild divulgou uma sondagem segundo a qual a maioria dos inquiridos avalia melhor o trabalho da equipa governamental anterior do que da actual – algo que o próprio jornal considera surpreendente.
As sondagens actuais dão a CDU/CSU à frente com 26% dos votos (nas eleições do ano passado obtiveram 28,5% dos votos (o seu segundo pior resultado após 1949) e a Alternativa para a Alemanha (AfD) aparece em segundo com 26% (nas legislativas tinha obtido 20%), surgindo depois o Partido Social-Democrata (SPD) com 15% (um ponto percentual a menos do que o resultado eleitoral de 2025), os Verdes com 12% (tinham tido 11%) e Die Linke (A Esquerda) com 10% (teve 8% na votação anterior).
De fora do Parlamento ficariam, de novo, o Partido Liberal Democrata, que parece não conseguir recuperar de ter sido responsabilizado pela queda do Governo, e a Aliança Sahra Wagenknecht, liderado pela política que era a principal figura de Die Linke.
O chamado “superano eleitoral” na Alemanha começa com eleições já no início de Março no estado federado de Baden-Württemberg (Sul), seguindo-se a Renânia-Palatinado no final do mês e, em Setembro, Saxónia-Anhalt, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Berlim, que é uma cidade-estado.
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