Os governos da Alemanha, do Reino Unido, da França, da Suécia e dos Países Baixos responsabilizaram este sábado o Governo russo pelo assassinato do opositor russo Alexei Navalny, ocorrido há dois anos, indicando que no ataque foi utilizada uma potente neurotoxina originária de uma rã-dardo-dourada do Equador.
“Esta é a conclusão dos nossos governos, baseada na análise de amostras de Alexei Navalny. Essas análises confirmaram de forma conclusiva a presença de epibatidina”, referem os ministros dos Negócios Estrangeiros dos cinco países num comunicado oficial divulgado este sábado na Conferência de Segurança de Munique.
A epibatidina é uma toxina considerada como arma química ao abrigo da legislação internacional, sublinham os quatro governos, recordando que “não ocorre de forma natural na Rússia”.
A Rússia, recordam, afirmou que Navalny morreu de causas naturais, “mas, tendo em conta a toxicidade da epibatidina e os sintomas que foram comunicados, o envenenamento é a causa da sua morte com elevada probabilidade”.
Navalny já tinha sido envenenado em 2018, em Salisbury, no Reino Unido, com o agente conhecido como Novichok, e mais tarde novamente quando já estava detido no Árctico russo, segundo o comunicado. “Em ambos os casos, apenas o Estado russo dispunha dos meios combinados, dos motivos e do desrespeito pela legislação internacional suficientes para perpetrar estes ataques”, afirmam.
As cinco nações europeias exigem, por isso, que “a Rússia preste contas pelas suas reiteradas violações da Convenção sobre as Armas Químicas” e, neste caso concreto, pelo incumprimento da Convenção sobre as Armas Biológicas e Toxínicas. Nesse sentido, os representantes dos cinco países junto da Organização para a Proibição das Armas Químicas escreveram este sábado ao seu director-geral, o espanhol Fernando Arias, “para o informar deste incumprimento da Convenção sobre as Armas Químicas”. “Estamos igualmente preocupados com o facto de a Rússia não ter destruído todas as suas armas químicas”, acrescentaram.
“Nós e os nossos parceiros asseguraremos que são accionadas todas as vias ao nosso dispor para que a Rússia responda pelos seus actos”, acrescentaram.
Após a divulgação desta declaração, a mulher de Navalny, Yulia Navalnaya, salientou que “cientistas de cinco países europeus concluíram que o meu marido foi envenenado com epibatidina, uma neurotoxina, um dos venenos mais mortíferos da Terra”. Navalnaya sublinhou que a substância provém da rã-dardo-dourada equatoriana e provoca “paralisia, paragem respiratória e uma morte dolorosa”.
“Desde o primeiro dia que era evidente que o meu marido tinha sido envenenado, mas agora há provas: Vladimir Putin assassinou Alexei com uma arma química”, denunciou.
A viúva de Navalny agradeceu ainda aos países europeus que “trabalharam meticulosamente durante dois anos para descobrir a verdade”. “Vladimir Putin é um assassino e deve prestar contas por todos os seus crimes”, afirmou.
Falando na Conferência de Segurança de Munique, a ministra dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Yvette Cooper, disse: “Desde que Yulia Navalnaya anunciou a perda do seu marido aqui em Munique há dois anos, o Reino Unido tem buscado a verdade sobre a morte de Alexei Navalny com determinação feroz.
“Apenas o governo russo tinha os meios, o motivo e a oportunidade para utilizar esta toxina letal contra Alexei Navalny durante a sua prisão na Rússia. Hoje, ao lado da sua viúva, o Reino Unido está a revelar a conspiração bárbara do Kremlin para silenciar a sua voz”, acrescentou.
Alexei Navalny morreu a 16 de Fevereiro de 2024 na colónia correccional FKU IK-3, no Árctico russo, aos 47 anos. Estava preso desde Janeiro de 2021, quando regressou a Moscovo a partir de Berlim, onde recuperava do envenenamento com Novichok.
Moscovo rejeitou as críticas relacionadas com a sua morte e pediu que se aguardassem os resultados oficiais da autópsia. Posteriormente, Sergei Narishkin, director do Serviço de Informações Externas da Rússia (SVR), atribuiu a morte de Navalny a “causas naturais”.
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