Ambientalistas pedem a municípios da Grande Lisboa que invistam em solos permeáveis

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A organização ambiental Quercus pediu às autoridades governamentais e municipais da Grande Lisboa que substituam asfalto por solos permeáveis e criem jardins e sistemas de infiltração de água para prevenir inundações, após as cheias desta semana. A Greenpeace, por seu lado, salientou a “necessidade de apostar na prevenção para evitar futuras catástrofes”, e na “natureza, como melhor aliada da resiliência do território.”

“A depressão Leonardo afectou particularmente a Grande Lisboa (…) provocando cheias, deslizamentos de terras, estradas cortadas e evacuações preventivas. A incapacidade da cidade para absorver e escoar águas pluviais é um problema crónico, agravado exponencialmente pelas alterações climáticas e pela impermeabilização crescente dos solos”, refere em comunicado a organização ambiental.

O Núcleo Regional de Lisboa da Quercus indicou que é urgente a aceleração do “plano de desimpermeabilização” da cidade de Lisboa, removendo ou reduzindo superfícies impermeáveis.

A organização referiu que é necessário substituir as vastas áreas de asfalto por solos permeáveis e criar mais parques que funcionem como bacias de retenção naturais, evitando inundações.

“Quando há operações de resgate e famílias têm de abandonar as suas casas, percebemos que não basta reagir à emergência”, defende o director da Greenpeace Portugal, em comunicado. “Não podemos continuar a permitir construção e reconstrução em zonas inundáveis. Em Portugal, dezenas de milhares de pessoas vivem em zonas de risco de cheias e inundações e, quando chegam episódios como este, voltamos sempre a correr atrás do prejuízo”, afirmou Toni Melajoki Roseiro.

Como solução estrutural, a Greenpeace propõe a implementação imediata de soluções baseadas na natureza e o cumprimento estrito do Regulamento de Restauro da Natureza da União Europeia. Restaurar ecossistemas como zonas húmidas, margens de rios, planícies de inundação e massas florestais ao longo dos cursos de água, mesmo em meios urbanos, é fundamental para que as inundações causem menos danos, salienta a organização.

“É urgente que as Administrações passem da política do betão para uma transição hidrológica justa que recupere a saúde dos aquíferos e devolva aos rios a sua liberdade de movimento”, diz o comunicado da Greenpeace Portugal.

A Quercus exigiu que os novos empreendimentos e requalificações nos concelhos da Área Metropolitana de Lisboa devem incluir sistemas de retenção e infiltração de águas pluviais. Segundo o comunicado, é necessário um “investimento massivo” em infra-estruturas verdes e azuis, ou seja, lagoas, florestas, zonas húmidas, terras agrícolas, parques públicos, entre outras na região.

A Quercus destacou que a solução não pode passar apenas por aumentar a drenagem”. O acento tónico tem de ser posto também na gestão do território, alerta Toni Melajoki Roseiro. “A prevenção tem de ser vinculativa: regras claras e aplicadas no ordenamento do território, protecção efectiva das planícies de inundação e uma avaliação de risco que inclua também a inundação pluvial, ligada à drenagem e à impermeabilização urbana. Não é fatalidade”, afirmou o director da Greenpeace.

A Quercus recomendou também A criação de um Fundo de Emergência Climática municipal, dedicado exclusivamente a acções de adaptação e resiliência, é outra das recomendações da Quercus.

Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afectadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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