A escritora Ana Margarida de Carvalho é a vencedora da 19.ª edição do Prémio Literário Fundação Inês de Castro, enquanto J. Rentes de Carvalho foi distinguido com o prémio de Tributo Consagração, anunciou esta terça-feira a organização.
Em comunicado, a fundação que dá nome ao galardão revelou que Ana Margarida de Carvalho foi premiada pelo livro A Chuva que Lança a Areia do Saara, lançado em 2025.
O júri do prémio foi composto por José Carlos Seabra Pereira, que presidiu, Isabel Pires de Lima, Isabel Lucas, Mário Cláudio e António Carlos Cortez.
O prémio já foi atribuído a autores como Jorge Reis-Sá, Rita Taborda Duarte, António Lobo Antunes, Andreia C. Faria, Djaimilia Pereira de Almeida, Mário de Carvalho, Gonçalo M. Tavares, Hélia Correia, Teolinda Gersão, Pedro Tamen, entre outros.
A cerimónia de entrega dos prémios vai acontecer no dia 28, na Quinta das Lágrimas, em Coimbra.
Actual presidente do Conselho Geral Independente da RTP, Ana Margarida de Carvalho é escritora e jornalista, duas vezes vencedora do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, contando ainda com o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco na extensa lista de prémios conquistados.
Como lembra a organização do prémio Fundação Inês de Castro, A Chuva que Lança a Areia do Saara representou “a estreia da autora na Companhia das Letras, que republicará toda a sua obra”.
A Chuva que Lança a Areia do Saara parte da ideia de “exaustão” e de “despertença”, dois sentimentos que se cruzam ao longo da obra e que reflectem uma sociedade “à beira do colapso”.
Ao PÚBLICO, a escritora explicou no início deste ano que este é “um romance contra o scroll literário”. “A Chuva que Lança a Areia do Saara é, assim, um romance cheio de personagens exaustas, cansadas, dormentes, que trabalham até o corpo se anular. É nessa condição que surge a primeira, Firmino, uma homenagem a Geoffrey Firmin, protagonista do emblemático romance de Malcolm Lowry, Debaixo do Vulcão. Partilham o mesmo vício e a mesma condenação”, escrevia no Ípsilon o crítico literário Luís Ricardo Duarte que a entrevistou.
Em entrevista à agência Lusa em Outubro de 2025, a propósito do romance, a autora explicou que quis explorar “vários tipos de exaustão” – desde a laboral à física e emocional, passando pela da própria natureza.
“Há a exaustão de quem trabalha numa pedreira, mas também da própria pedreira, da natureza que é devastada, que já não aguenta mais e acaba por tudo aquilo ser uma consequência trágica do que os homens lhe fizeram: o desmatamento, a devastação total”.
O romance aborda também “a exaustão de uma mulher que quer parecer nova à viva força” e “a exaustão do organismo que já não aguenta mais”, numa narrativa em que o corpo e o meio ambiente partilham o mesmo desgaste.
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