Saiu do banco e, tal como no jogo de estreia, cabeceou a bola para o fundo das redes na primeira acção no jogo. Anísio Cabral foi o jóquer que repôs na agenda do Benfica o clássico de segunda-feira, entre os dois primeiros da Liga. Sem o golo do avançado de 17 anos, os “encarnados” não teriam vencido o Alverca (2-1), na 21.ª jornada, e de pouco lhes valeria esperarem por dividendos do FC Porto-Sporting, sejam eles quais forem.
O Benfica já tinha sentido profundas dificuldades para fazer face à ideia de jogo do Alverca na primeira volta. Disposto maioritariamente num bloco médio, em 5x3x2 sem bola (a nuance face ao 5x2x3 era introduzida pelo posicionamento de Figueiredo), mostrava audácia nos ataques rápidos e critério para desmontar a pressão do adversário.
Ainda assim, os “encarnados” entraram melhor e chegaram ao golo aos 15’, depois de forçarem mais uma aproximação pelo corredor central, que terminou com trivela de Rafa (titular na posição que tem sido de Sudakov) e recarga de Schjelderup.
Curiosamente, até então tinha sido o jogo mais directo (ligação Otamendi-Pavlidis ou Prestianni) a causar mais mossa ao Alverca, que não se deixou atormentar pela desvantagem. Um livre indirecto a dois tempos deixou o aviso (Marezi não conseguiu finalizar na pequena área) e aos 30’ o empate chegou mesmo, em mais uma arrancada de Chiquinho concluída por Figueiredo — Otamendi definiu mal a linha e deixou o brasileiro em posição legal.
Esse foi o principal problema defensivo do Benfica, a incapacidade de anular Chiquinho. Porque o extremo é talentoso, mas também porque tinha como marcador directo outro extremo, Sidny Cabral, adaptado a lateral — se o ex-Estrela é o todo-o-terreno que José Mourinho procurava, ainda está longe de saber lidar com as lombas e as depressões que implicam as tarefas defensivas.
O Benfica reforçou então o domínio territorial, o Alverca recuou uns metros e a aposta na profundidade esfumou-se. Com Barreiro errático com bola e Rafa bem marcado, restava o critério habitual de Aursnes para encontrar linhas de passe e espaço nos corredores, ora com raides permanentes, ora com variações eficazes do centro do jogo.
O intervalo chegava já com impaciência nas bancadas e sem a chuva dar tréguas, mas das cabinas veio uma boa notícia para os “encarnados”: a substituição de Chiquinho. Simultaneamente, a equipa surgiu mais agressiva e Rafa esteve duas vezes perto do golo em menos de dois minutos (numa delas desviou a bola para o poste), fruto de uma pressão mais ousada e de recuperações mais numerosas no último terço.
A constante no jogo do Benfica continuava a ser Aursnes, pêndulo sempre fiável, que ofereceu um golo fácil a Pavlidis aos 53′ – o grego, sem oposição na área, desviou de cabeça para fora. Depois foi Dahl a tentar cruzamentos, Schjelderup a tentar dribles, até que um deles criou espaço para um cruzamento que Pavlidis desviou com o peito – antes, porém, houve um toque com o braço que o VAR detectou para invalidar o lance.
O Alverca já não conseguia aplicar o guião da primeira parte e o jogo ganhava um só sentido. Aos 70′, eram já 22 remates contra quatro. Sudakov rendeu então Sidny Cabral e Aursnes, pois claro, foi remendar o corredor direito. E foi ele quem lançou, com um passe de ruptura, Prestianni para um golo que esbarrou na cabeça do guarda-redes Matheus Mendes.
Havia volume ofensivo mais do que suficiente para justificar a vitória, mas ela estava dependente do contributo decisivo de um menino que começa a ser amuleto na Luz. Tal como sucedera contra o Estrela, Anísio saltou do banco para salvar o Benfica, aos 86′, com um cabeceamento irrepreensível, a cruzamento de Dahl. Continua a ser uma arma valiosa para José Mourinho, mas não pode dizer-se que seja secreta.
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