Ao mapear o Porto, GARRA encontrou espaço para plantar mais de 8 mil árvores

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É uma forma de pressão e uma tentativa de ajuda ao mesmo tempo. Há dois meses que o Grupo de Acção para a Reabilitação do Ramal da Alfândega (GARRA) tem vindo a mapear espaços no Porto, num exercício que pretende contribuir para o cumprimento do plano de arborização que o município apresentou em 2023, mas cuja implementação tarda em entrar em velocidade cruzeiro.

O levantamento feito pelos membros do grupo identificou mais de 300 espaços na cidade que, seguindo os critérios e espaçamento previstos no plano de arborização do município do Porto, podem permitir a plantação de mais de 8 mil árvores.

“Começámos a pensar como é que podemos fazer alguma coisa que tenha impacto e esteja próxima das pessoas”, explica Pedro Pardinhas, membro do GARRA, um movimento que nasceu para discutir o futuro do Ramal da Alfândega, mas que acabou por se debruçar sobre outras questões de urbanismo no Porto.

Uma das preocupações foi encontrar locais que já tenham o solo a descoberto, para que seja mais fácil realizar a plantação, sem haver necessidade de obras numa dada rua ou se levante a necessidade de desviar infra-estruturas instaladas no subsolo, refere Pedro Pardinhas, que conversou com o PÚBLICO antes de o novo autarca do Porto, Pedro Duarte, assinalar 100 dias de mandato com a plantação da centésima árvore.

O gesto simbólico, acompanhado de uma conferência de imprensa de balanço, decorre na quinta-feira, no Parque da Pasteleira. No entanto, segundo os cálculos do GARRA, o ritmo de plantação terá de ser 10 vezes superior para que Pedro Duarte consiga cumprir a sua promessa de campanha.

Durante a corrida eleitoral, o então candidato pela coligação de PSD e IL com CDS, anunciava que, no primeiro mandato, até 2029, iria plantar 15 mil árvores na cidade. Ou seja, 10,3 árvores por dia.

Até agora, aponta o membro do GARRA, o ritmo de plantação está “10 vezes abaixo do necessário, mas é normal que no começo do mandato isso aconteça”, concede. Vê a acção simbólica como “um bom sinal”, mas o grupo pede mais.

Plano a conta gotas

As estimativas de 8 mil árvores são feitas com base no espaçamento entre árvores definido no plano de arborização, cuja implementação até está mais focada nas ruas e avenidas da cidade e que, envolvendo instalação em locais onde o pavimento é actualmente cimento, betão ou asfalto, será um processo mais caro. Olhando para o orçamento municipal para 2026, o grupo desconfia.

“A nossa abordagem é complementar” ao plano, sublinha Pedro Pardinhas, dizendo que a preocupação foi “identificar pequenos jardins espalhados pela cidade”, perímetros de escolas públicas e faculdades e áreas em bairros sociais, exemplifica.

Além de espaço público que permitirá a plantação de cerca de 5.500 árvores, estima, há áreas identificadas que não serão geridas necessariamente pela câmara do Porto, mas são da responsabilidade de entidades como a Universidade do Porto ou a Infra-Estruturas de Portugal, que podem ser também envolvidas no esforço, sugere.

O levantamento, que será partilhado com o município, foi feito com recurso a ferramentas do Google Maps, com visitas ao terreno para validação, mas obras e alterações recentes podem acrescentar-lhe uma margem de erro.

Em 2023, no plano municipal que foi apresentado no último mandato de Rui Moreira, estavam identificados 24 quilómetros de ruas que seriam de “arborização muito prioritária”. Em 2025, o PÚBLICO constatou que apenas um quilómetro foi plantado. No total, o estudo apontava para 200 quilómetros de ruas “arborizáveis”.

O GARRA tem vindo a pressionar a autarquia para avançar com as plantações, entendendo que é “passo indispensável para tornar a cidade mais resistente às vagas de calor e às chuvas intensas, para melhorar a qualidade do ar e a qualidade de vida” dos moradores da cidade.

Uma das críticas ao documento era a falta de um calendário concreto, servindo mais como uma espécie de guia para operações futuras. Mesmo com o plano desenvolvido, houve várias ruas do Porto cuja arborização era considerada prioritária que já passaram por obras de requalificação, sem que tenham recebido novas espécies arbóreas.

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