
Não há nada aos 50 que não seja também verdade aos 49. É assim com as pessoas e com as empresas. E, no entanto, os 50 são quase sempre um momento de reflexão.
A Apple celebra nesta quarta-feira cinco décadas – e tem estado a celebrá-las há semanas, com concertos e festas em Paris, Xangai, Bombaim, Nova Iorque. É uma invulgar predisposição festiva numa empresa que tende a olhar mais para o futuro do que a festejar o passado. “Num negócio, se olhamos para trás, somos esmagados. É preciso olhar para a frente”, disse uma vez Steve Jobs a um jornalista.
Só que a efeméride era demasiado importante para não ser assinalada. “Na Apple, estamos mais focados em construir o amanhã do que em lembrar o ontem”, escreveu o CEO, Tim Cook, numa carta aberta típica deste género de ocasiões. “Mas não podíamos deixar este marco passar sem agradecer aos milhões de pessoas que fazem da Apple aquilo que é hoje.”
Meio século depois de Steve Jobs, Steve Wozniak e Ronald Wayne terem fundado uma empresa para fabricar computadores pessoais; um quarto de século após o lançamento do iTunes e do iPod; e 19 anos depois de o iPhone ter dado início a uma revolução, a Apple é uma das maiores e mais importantes empresas do mundo.
Também é uma empresa que se prepara para render o veterano CEO, que está a braços com um ambiente geopolítico que dificulta a sua relação outrora simbiótica com a China, e que não está a conseguir acompanhar a concorrência no desenvolvimento de produtos assentes em inteligência artificial, a tecnologia que promete uma nova vaga de inovação.
A mudança de liderança, independentemente de quando acontecer, marcará uma nova era. Há poucas semanas, Cook veio desmentir rumores de que está de saída, afirmando que não conseguia imaginar a sua vida sem a Apple. Mas é fácil perceber porque surge a questão. Cook tem 65 anos e está na Apple desde 1998. Foi contratado por Jobs, que tinha então regressado como CEO interino para resgatar a empresa de uma sucessão de falhanços nos anos 1990 que quase significaram a falência (o fundador tinha sido despedido em 1985, na sequência de uma luta interna de poder).
Antes de assumir o lugar de topo, Cook foi responsável por montar as fábricas e cadeias de abastecimento que foram cruciais para o sucesso dos aparelhos da marca. Tornou-se CEO em 2011, após a morte de Jobs. Em Novembro, o Financial Times noticiou que o conselho de administração estava a acelerar o processo de sucessão. Um nome apontado é o do vice-presidente responsável pela engenharia de hardware, John Ternus, que tem 51 anos, 25 dos quais passados na Apple.
A relação de longo prazo com a China também tem vindo a mudar. Em parte motivada pelo antagonismo entre os EUA e a segunda superpotência, e pelas guerras comerciais de Donald Trump, a Apple está há anos a diversificar os locais de fabrico. Alguns aparelhos são hoje feitos na Índia e no Vietname, e, em menor escala, no Brasil e na Malásia. As fábricas chinesas continuam, no entanto, a ser centrais – e todo o conhecimento e esforço logístico acumulado ao longo de 25 anos não vão desaparecer.
Já a era da inteligência artificial tem sido complicada para quem durante muito tempo se habituou a marcar o ritmo da inovação. Com a assistente virtual Siri e outras aplicações de IA bastante aquém da concorrência, notícias recentes deram conta de que a Apple tem planos para permitir que a Siri possa recorrer a modelos de outras empresas, incluindo o Gemini, da Google (um acordo que foi anunciado em Janeiro), ou o Claude, da Anthropic. O ChatGPT, da OpenAI, já está a ser usado.
Este género de abertura a serviços de terceiros é pouco habitual na Apple. Por norma, os produtos são inteiramente feitos pela empresa, o que inclui o hardware e o software. É assim com os computadores Mac e com os iPhone. Enquanto os sistemas Windows ou Android podem ser instalados em aparelhos de vários fabricantes, o iOS é um exclusivo dos aparelhos da Apple.
Mesmo com desafios pela frente, a Apple tem trunfos antigos, incluindo uma marca incontornável, um negócio que facturou 416 mil milhões de euros no ano passado, e produtos que mantêm uma legião de utilizadores fiéis. Aos 50 anos, a maior fonte de receitas continua a ser, de longe, o iPhone – e tem sido assim desde 2008, apenas um ano depois de Jobs ter subido ao palco e tirado o primeiro modelo do bolso.
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