Artista brasileira apresenta obras feitas com fios em Portugal

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Uma tradição de família passada de geração em geração inspirou a artista plástica brasileira Ju Bock a trabalhar com fios. Nascida no Rio Grande do Sul, ela aprendeu a tricotar ainda muito jovem, com 13, 14 anos. Mas o tempo andou e a prática de fazer cachecóis e gorros ficou um pouco para trás. Porém, com a pandemia, Ju resgatou antigas memórias e hábitos e, atualmente, expõe obras de arte feitas com fios. A mostra Habitar, assinada por ela, pode ser vista na Fema Gallery, em Cascais, até o dia 31 de março.

Durante o confinamento, Ju Bock quis aprender uma técnica nova, a da tapeçaria. À época, em 2020, ela morava em St. Louis, no Missouri, e resolveu comprar um tear pela internet. “Eu achava bonita essa tapeçaria contemporânea, como é chamada nos Estados Unidos”, explica. “E como estávamos confinados pela pandemia, comecei a fazer algumas aulas no YouTube e passei a criar a minha própria tapeçaria”, orgulha-se.

Com planos de se mudar para a Europa, para ficar mais perto das filhas, que estudam em Londres, há quatro anos a artista escolheu Portugal para viver. Na terra dos famosos tapetes de Arraiolos, ela procurou aprimorar ainda mais a sua arte. “Num país que tem por tradição a tapeçaria, fui atrás de aprender um pouco mais sobre essas peças têxteis.”

E ancestrais, pontua ela. “Não quero que isso saia da minha trajetória como artista têxtil. Não podemos abandonar nossos antepassados. Seja qualquer arte. Hoje digo que os pontos dentro da tapeçaria são muito importantes. E não podemos deixar isso morrer. Os tapetes de Arraiolos estão se perdendo em Portugal”, lamenta.

“Pulso” é outra obra em destaque da mostra “Habitar”, da artista têxtil Ju Bock
Helem Duruth/Divulgação

Não é artesanato

Com 12 peças inéditas, além de Encontros Noturnos e Pulso, destaca-se em Habitar uma obra com cerca de dois metros de altura, construída a partir de 2,7 quilômetros de fios. “Esse trabalho leva o nome da exposição porque quero que as pessoas habitem a minha obra de arte. Foi uma maneira que eu achei de o público sentir um pouquinho do meu mundo. Sentir um pouquinho daquilo que envolve a minha vida, a minha paixão pelos fios”, enfatiza.

A primeira exposição de Ju Bock em Portugal aconteceu em 2024, mas Habitar é a sua estreia numa galeria de arte. “Não foi nada planejado. Eu realmente gostava de fazer tapeçaria, mas, no início, meu propósito não era comercial”, garante. “Só que as coisas começaram a evoluir, as pessoas começaram a se interessar pelas minhas obras e surgiu o convite da Fema Gallery, que é uma chancela muito importante, para mim, como artista têxtil, artista visual. Porque não faço artesanato, faço obra de arte.”

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