Artista brasileira inaugura exposição sobre ciência, colonialismo e IA em Lisboa

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Formada em farmácia na Faculdade Oswaldo Cruz, em São Paulo – área em que atuou por 25 anos –, a artista visual e pesquisadora brasileira Elaine Pessoa, 57, inaugura a exposição Exploratorius nesta quinta-feira (26/02), no Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC), em Lisboa. Ela conta que a mostra individual mistura ciência, inteligência artificial (IA) e colonialismo. O projeto, explica, nasceu de uma residência feita antes da pandemia, na associação cultural NowHere, na capital portuguesa.

“Um ano antes do confinamento, eu passei três meses fazendo pesquisas e fotografando em museus, inclusive no próprio Museu de História Natural. Nesse processo, eu resolvi fazer uma experimentação com um programa de inteligência artificial (IA), a partir dos textos teóricos que eu estava usando”, diz Elaine, que é pós-graduada em fotografia pela FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado).

Com curadoria de Sofia Marçal, a exposição, frisa Elaine, é baseada a partir de textos científicos do geógrafo e explorador alemão Alexander von Humboldt e dos diários dos naturalistas, também alemães, Johann Baptist von Spix e Carl Friedrich Philipp von Martius, que realizaram uma expedição científica pelo Brasil, entre 1817 e 1820, descrevendo a fauna, a flora, a geografia e os povos originários do país.

Elaine Pessoa inaugura exposição Exploratorius, em Lisboa, que mistura ciência, colonialismo e IA
Arquivo Pessoal

“Financiados pelo rei da Baviera, Spix e Martius percorrem praticamente o Brasil inteiro, saindo do sul até chegar ao Amazonas. Nesse período, os viajantes faziam esboços muito detalhados nos seus diários, porque ainda não havia a fotografia. Depois, mandavam tudo para a Europa, onde um artista ilustrava o material. Era assim que os artistas europeus tinham uma ideia do que seria a paisagem, por exemplo, que os viajantes viram. No Exploratorius, eu começo a gerar imagens, e uma boa parte está no laboratório de química analítica do próprio museu, interpretando a visão desse novo mundo, com o uso da IA”.

Colonialismo

Entre fotografias de folhas e árvores tropicais, libélulas ou abelhas, que sofrem interferências nas artes plásticas (“Nunca trabalho 100% só com a fotografia”), ela também destaca o papel do colonialismo em sua mostra. “É uma forma de discutir esse tema, que é muito forte e importante, usando os elementos da própria natureza”, avalia. “A gente hoje vem passando por muitas pressões com os Estados Unidos, por exemplo, exercendo a sua força, que também não deixa de ser um olhar colonialista econômico. E, em Portugal, acho que é um assunto que talvez seja pouco discutido, apesar de toda uma história envolvendo a questão do racismo, do colonialismo e da exploração que foi feita pelos portugueses em outros continentes”.

Sócia da Fotô Editorial, Elaine ainda lançará os livros de fotografia Exploratorius e Transitus Naturalis no dia 4 de março, na Livraria da Travessa. Na noite de autógrafos haverá uma conversa entre ela, a curadora Cristiana Tejo e a pesquisadora Fabiana Bruno.

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