Assessor de deputado da França Insubmissa entre os 11 detidos pela morte de Quentin Deranque

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As autoridades francesas detiveram 11 suspeitos de estarem envolvidos na morte de Quentin Deranque, nacionalista e simpatizante da extrema-direita, de 23 anos, que foi espancado à margem de uma conferência da eurodeputada Rima Hassan, em Lyon, e acabou por morrer dois dias depois das agressões.

Um dos suspeitos é o assessor do deputado Raphaël Arnault, Jacques-Élie Favrot, do partido França Insubmissa, avança a Agência France Press (AFP). A informação foi confirmada pelo deputado, no X, que garantiu que o assessor já “cessou todo o trabalho parlamentar”. “Cabe agora à investigação apurar as responsabilidades”, terminou.

Arnault e Favrot são membros fundadores da Jeune Garde, um grupo antifascista, dissolvido em 2025, que está a ser acusado pela extrema-direita, nomeadamente pelo colectivo identitário Némésis, de ser o responsável pelas agressões. Em entrevista à France 2, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, referiu que “a investigação vai confirmar se se tratam ou não de membros da Jeune Garde”, mas que “tudo aponta nessa direcção”. O procurador Thierry Dran não confirmou, no entanto, estas acusações. A Jeune Garde negou quaisquer ligações ao que chamou “trágico acontecimento”.

Na terça-feira, Dran anunciou a detenção de nove suspeitos de terem participado nas agressões da passada quinta-feira — perpetradores e cúmplices que terão ajudado os agressores a escapar às autoridades —, número que subiu nesta quarta-feira para 11.

Quentin fazia parte de uma equipa informal responsável pela segurança do colectivo identitário e de extrema-direita Némésis, que protestava contra a deputada esquerdista Rima Hassan, estando esta de visita ao Instituto de Estudos Políticos, em Lyon. As palavras de ordem eram, entre outras, “Islamo-esquerdistas fora das nossas universidades”, como se lia numa faixa. Hassan é franco-palestiniana.

Foi nesse contexto, e após confrontos entre militantes da extrema-direita e esquerda, que Quentin terá sido agredido e ficado gravemente ferido, acabando por morrer no hospital no sábado.

Thierry Dran referiu que Quentin foi pontapeado e esmurrado por, “pelo menos, seis” indivíduos com “máscaras e capuzes”, tendo a autópsia mostrado danos irreversíveis no crânio. O procurador apontou ainda que o conflito terá tido início quando as mulheres do Némésis abriram a faixa e “vários indivíduos” tentaram derrubá-la, agredindo duas jovens. Uma testemunha disse à AFP que “as pessoas estavam a bater umas nas outras com ferros”.

O caso criou tensão entre os extremos franceses, com políticos da extrema-direita, como Marine Le Pen, a pedir ao Governo para “considerar estas milícias como grupos terroristas”.

O ministro da Justiça francês, Gérald Darmanin, acusou “os discursos políticos, particularmente os da França Insubmissa e da extrema-esquerda”, como os responsáveis pela “violência extrema nas redes sociais e no mundo físico”. “Foi a extrema-esquerda que o matou, isso é inegável”, afirmou.

A França Submissa disse, nesta quarta-feira, ter sido obrigada a evacuar as sedes a nível nacional devido a ameaças de bomba. O líder do partido, Jean-Luc Mélenchon apelou à calma: “Não vamos alimentar a incitação para fazer justiça com as próprias mãos.”

Nesta terça-feira, o Parlamento francês fez um minuto de silêncio em memória de Quentin. No próximo sábado, é esperada uma marcha em Lyon para homenagear o jovem.

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