“Avatar”, pulseiras e radiação. Ida à Lua é também um ensaio para o corpo humano

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A missão Ártemis II promete ser um novo ensaio antes da futura alunagem dos humanos na Lua, mas também um teste à cápsula Órion com tripulação a bordo e, claro, ao modo como se comportam os humanos perante uma viagem destas – que não acontece há mais de 50 anos. A viagem que marcará, se tudo correr como previsto, o regresso dos humanos à vizinhança da Lua é também um ensaio à resistência humana perante a adversidade espacial. Por isso, a NASA leva no cubículo em que seguirão os quatro astronautas algumas experiências para estudar os efeitos das viagens à Lua no corpo humano: como dispositivos com as células dos astronautas ou pulseiras para registar toda a informação.

Para testar como os tecidos humanos reagem aos efeitos da radiação no espaço, a NASA criou a experiência “Avatar”, com quatro dispositivos pequenos (quase parecem uma pen drive) que contêm uma pequena amostra de tecido da medula óssea de cada um dos astronautas. Como a medula óssea é responsável pela produção de glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas, os efeitos identificados poderão permitir acautelar riscos futuros nas viagens para a Lua e na exposição permanente de astronautas em futuras bases lunares.

Mas não conhecemos já os efeitos no espaço devido à presença de astronautas na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês)? Sim, mas não é bem a mesma coisa. A ISS está na órbita baixa da Terra, ainda protegida pelo campo magnético terrestre que mitiga a radiação que chega até à estação. Na Lua e no trajecto até ao satélite natural da Terra não há essa protecção.

A tripulação da missão Ártemis II leva ainda no pulso uma pulseira, que passaria facilmente por um smartwatch (ou relógio inteligente). Tal como os relógios na Terra, estas pulseiras medirão informação sobre o ritmo cardíaco ou a qualidade do sono, para avaliar os efeitos de estar no espaço (confinados durante dez dias) em comparação com os registos que os astronautas tinham quando estavam nos Estados Unidos.

A ciência será um chamariz destas missões à Lua (embora menor do que a rivalidade com a China e a busca por recursos lunares), permitindo, além da descoberta dos limites do corpo humano, desvendar mais sobre a psicologia humana. Por exemplo, como se reage em módulos pouco espaçosos durante semanas por vezes sem comunicações? Numa futura viagem a Marte, serão sempre pelo menos seis meses de viagem para cada lado.

Há ainda ciência para fazer no solo da Lua. Podemos descobrir mais pistas sobre como começou a vida na Terra, estudar directamente a água congelada na Lua ou mesmo observar outros objectos astronómicos (mas mais perto, através de telescópios). Além disso, como a Lua é terreno quase intacto, serve como máquina do tempo do sistema solar e da Terra. A preservação da sua superfície, das crateras e do solo pode ajudar a ter uma imagem mais nítida de como se formou o planeta e como foram os primórdios do sistema solar que habitamos.

No regresso à Lua, sobram questões por responder. Falta encontrar as respostas.

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