Baterias de estado sólido: China aproxima-se dos 1500 km de autonomia

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A Changan Automobile, um dos quatro grandes fabricantes estatais chineses, anunciou esta terça-feira que irá iniciar a instalação experimental de baterias de estado sólido em veículos antes do final do terceiro trimestre de 2026. Esta nova geração de acumuladores de energia promete autonomias que podem ultrapassar os 1500 quilómetros no ciclo de testes chinês (CLTC), conhecido por ser bem menos exigente que o WLTP usado na Europa. Ainda assim, mesmo aplicando uma redução de autonomia entre 20 a 25 por cento, uma taxa de conversão habitualmente usada para se obter uma autonomia realista a partir do CLTC, a autonomia resultante é superior a 1100 km.

Ao contrário das baterias de iões de lítio que encontramos nos actuais carros eléctricos ou nos nossos telemóveis, que utilizam um electrólito líquido, as baterias de estado sólido recorrem a um material sólido para a condução de energia. Esta mudança traduz-se numa densidade energética muito superior — neste caso, de 400 Wh/kg — e numa segurança reforçada.

Mais segurança e menos calor

Um dos grandes trunfos apresentados pela Changan para a bateria “Golden Bell”, revelada originalmente no final de 2023, é a redução drástica do risco de incêndio. A empresa afirma que, recorrendo a diagnósticos apoiados por inteligência artificial, conseguiu melhorar os índices de segurança em 70 por cento. Sem o líquido das baterias convencionais, estas novas células são muito mais resistentes ao calor e a danos físicos.

O plano da fabricante chinesa é ambicioso e prevê a validação desta tecnologia não só em automóveis, mas também em robôs, até ao final de Setembro. Embora a produção em larga escala esteja apenas prevista para 2027, o início dos testes em estrada parece transformar anos de promessas laboratoriais em realidade.

A Changan não está sozinha nesta corrida. O mercado chinês, que já controla mais de metade do fornecimento global de baterias, está a tornar-se o campo de ensaio para várias químicas alternativas. Recentemente, em parceria com a CATL, a marca lançou também o primeiro veículo de passageiros de produção em massa com baterias de sódio, uma opção mais económica, embora com menor densidade energética (175 Wh/kg), oferecendo autonomias entre os 300 e os 400 quilómetros.

Se os números se confirmarem em ambiente real, estaríamos a falar de cruzar Portugal de norte a sul, ida e volta, com uma única carga. Resta agora saber a que preço chegará esta inovação aos bolsos dos condutores, uma vez que os custos de produção destes materiais ainda são significativamente superiores aos das soluções actuais.

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