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A falta de vergonha do Benfica, o clube de futebol mais tradicional de Portugal, é assustadora. Além de, até agora, não ter feito nenhum pedido de desculpas ao jogador Vinicius Júnior, que acusa um atleta do clube, o argentino Gianluca Prestianni, de tê-lo chamado de macaco (mono, em castelhano), um ato claramente racista, divulgou, nos últimos dias, uma campanha publicitária em que um jovem negro aparece “roubando” uma camisa do time.
No comercial, tudo é preconceituoso. O jovem está disfarçado, vestindo um uniforme de faxineiro, varrendo o chão. Sendo negro, jamais ele seria notado, pois esse tipo de profissão, na visão dos preconceituosos, é comum entre pessoas pretas. Invisível aos olhos da elite branca, o jovem consegue subir as escadas e chegar ao local onde estão as novas camisas do Benfica.
A justificativa do clube ao lançar a campanha publicitária dias depois do ataque racista de Prestianni a Vinicius Júnior é de que o comercial já estava pensado há tempos e tinha como objetivo fazer uma homenagem ao personagem Lupin, que é negro, da série que tem o mesmo nome e está na terceira temporada na Netflix. Lupin é interpretado pelo francês Omar Sy.
Em vez de se posicionar contra o ato racista, o Benfica optou por proteger seu atleta, tentando desqualificar a acusação. Pior: o técnico do time, José Mourinho, usou a figura do moçambicano Eusébio, homem negro, ao dizer que o atleta é o maior ídolo do time. Ele só se esqueceu de falar que Eusébio foi exceção e que, ao longo de sua brilhante carreira, teve de lidar com todo tipo de preconceito por causa de sua cor.
Neste fim de semana, enquanto a polêmica campanha com um jovem negro “roubando” uma camisa era alardeada, o Benfica levou a campo o menino Rodrigo, negro, que ganhou as manchetes ao ligar para a polícia e pedir ajudar para salvar a mãe, que estava com um sério problema de saúde. Isso, no mundo das empresas, se chama greenwashing, prática enganosa para tentar limpar a imagem em momentos de desgastes.
Ao contrário de recorrer a esse tipo de expediente, o Benfica deveria mostrar indignação diante de qualquer ato racista vindo de seus jogadores e torcedores — sim, foram vários imitando macacos durante o jogo contra o Real Madrid, no qual Vini Jr. marcou o gol da vitória.
Ao se omitir e tentar desqualificar a acusação do jogador brasileiro, o Benfica incentiva que atos como esse se repitam. Há relatos, inclusive, de que crianças em Portugal estariam usando expressões racistas tampando a boca com a camisa, como fez o jogador argentino para não ser pego pelas câmaras de televisão ao revelar todo o seu preconceito.
Felizmente, nesta segunda-feira (23/02), a União das Associações Europeias de Futebol (UEFA) suspendeu Gianluca Prestianni por um jogo — ele não participará do confronto entre o Benfica e o Real Madrid nesta quarta-feira (25/02) —, enquanto investiga as denúncias feitas por Vinicius Júnior e reforçadas por vários jogadores do clube espanhol, entre eles, o ídolo Kylian Mbappé. Segundo o jogador, o argentino chamou o brasileiro de macaco por cinco vezes.
O Benfica disse que sente muito pela decisão da UEFA. Em nota, afirmou: “O clube lamenta ficar privado do jogador enquanto o processo está ainda em investigação e irá apelar desta decisão da UEFA, mesmo se dificilmente os prazos em causa terão qualquer efeito prático para o jogo da segunda mão do play-off da Liga dos Campeões”. Mais uma vez, nenhuma palavra do clube contra o racismo.
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