Brasileira escreve livro sobre o que é ser mãe solo em Portugal: “ato de coragem”

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Há nove anos morando em Portugal, a mineira Renata Soares, 44 anos, resolveu pôr no papel os desafios que é ser mãe solo. Em Silêncio de Pai, Grito de Mãe (editora Atlantic Book), ela escreve histórias baseadas não na sua própria experiência, mas na de outras mulheres que também transformaram dor em força. O lançamento será no dia 30 de Abril, às 19h, na Biblioteca Municipal de Loulé, no Algarve. “Quando o assunto é mãe solo, vejo que há muitas coisas idênticas que acontecem entre as mulheres que foram abandonadas quando ficaram grávidas”, diz. “Alguns pais não querem nem saber como estão seus filhos”.

Renata, que trabalha na tesouraria de uma empresa de automóveis, no Algarve, garante que teve o apoio do pai de seu filho após o nascimento de Gabriel, hoje com 20 anos, mas sabe que muitas mães sofrem caladas. “Eu resolvi escrever esse livro quando saí do Brasil. Estava sozinha em Portugal, porque o Gabriel só veio há cinco anos, e comecei a ter essa ideia. Vejo o sofrimento de muitas mães que, às vezes, não têm nenhum tipo de ajuda. E a sociedade costuma julgar sem ver, sem calçar os sapatos dessas mães”, aponta.

A escritora conta ainda que seu primeiro livro descreve o peso que cai sobre o colo das mães solo em situações comuns do dia-a-dia, como levar um filho ao médico ou ir a uma reunião da escola. “O livro é um desabafo para essas mães”, aponta. “É a forma de gritar para o mundo que elas existem e estão tentando dar o melhor para o filho delas”.

Segundo a mineira, estar longe de sua rede de apoio torna tudo um pouco mais difícil na hora de criar um filho sozinha. “Estar longe da família nunca é fácil. Quando se trata de uma mãe solo é sempre um bocado mais pesado”, frisa Renata, que, como muitos brasileiros, veio para Portugal em busca de mais segurança. “Quando se tem filho, a preocupação é sempre com o futuro dele. Infelizmente, apesar do Brasil ser um país maravilhoso, eu preciso pensar mais no Gabriel e nas oportunidades que ele tem em Portugal”.

Solidão silenciosa

O preconceito, ela afirma, é igual em todo lado do mundo. “A culpa é sempre da mulher e pronto”, diz ela, que acrescenta. “Os filhos sofrem com isso também. É difícil não ter o pai presente em certas comemorações ou na partida de futebol da escola, sem falar da importância da figura paterna”.

Das muitas histórias que ouviu para escrever o livro, Renata revela que a mais emocionante foi a de uma mulher que citou a “solidão silenciosa”. “É quando chega à noite, a casa fica em silêncio e a mãe solo não tem com quem dividir o fardo das decisões, das dúvidas, dos medos”, enfatiza.

Se pudesse dar um conselho para uma mãe solo, que se vê sozinha e sem apoio, qual seria? “Eu diria que, em primeiro lugar, você não falhou. Estar sozinha não é sinônimo de fracasso. Muitas vezes é um ato de coragem e necessidade. Eu diria também que ninguém consegue dar conta de tudo, isso não existe. E talvez o mais importante: não se apague como mulher. Você continua sendo alguém com sonhos, desejos e identidade própria”, ensina.

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