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A paulista Mariana Serafim, após sentir falta de atividades culturais para sua filha Yara, de 2 anos, em Setúbal, onde mora com o marido, resolveu criar um projeto que unisse mães, emigrantes como ela, em Portugal. A iniciativa coletiva, chamada Minines, que partiu de sua experiência pessoal, foi lançada no último dia 10 de março, com uma ação simbólica, uma caça ao tesouro, no Bosque da Azeda. Aos 37 anos, Nika, como é chamada pelos amigos, conta que a proposta é voltada para famílias com crianças pequenas da região, que fica na Área Metropolitana de Lisboa.
“A ideia surgiu a partir minha necessidade, que passa também pela solidão da maternidade vivida longe da família”, explica. “Acabei criando o Minines para poder oferecer atividades culturais à minha filha e outras crianças, para que elas possam interagir, brincar e crescer juntas perto de onde vivem. Em Setúbal não há muitas opções”, lamenta.
Ela afirma que a socialização ainda é mais complicada quando as crianças são filhas de emigrantes. “Além da falta da rede de apoio, que, no meu caso, está no Brasil, acho que o entrosamento é mais difícil para quem não é do país, mesmo falando o mesmo idioma”, salienta. “No clube de leitura em inglês do Minines, uma mãe de Bangladesh, por exemplo, me disse que era a primeira vez que ela e os filhos socializavam com um grupo de pessoas que falavam português, porque ela não era inserida a outros grupos de jeito nenhum”.
Em 2018, Nika frisa que criou a Valsa, espaço cultural em Lisboa, que virou ponto de encontro para mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e artistas independentes, por enfrentar o preconceito de ser estrangeira. “Sinto que a gente ainda entra numa outra categoria, porque, além de ser emigrante, tem a coisa de ser brasileira. Algumas portas se fecham por causa disso”, avalia. “Para quem tem filho pequeno é muito ruim. A Yara está construindo a pessoinha dela em Portugal, onde nasceu. Mas, pelo fato de eu ser brasileira, já aconteceu de perguntarem para ela: ‘de onde você é?’ Eu respondo logo: ‘daqui’. Vejo essas sutilezas do dia a dia atravessando as nossas vidas”.
Sem caráter pedagógico
Nascida em Santos, no litoral paulista, Nika veio para Portugal em 2017. Mas ela garante que não sabia que acabaria ficando no país. “Eu não estava feliz com o meu trabalho [no ramo da hotelaria] em São Paulo, mas era um emprego que me pagava bem. Então, juntei dinheiro para passar dois meses em Portugal. Queria rever uns amigos, repensar alguns caminhos profissionais. Só que encontrei uma amiga de muitos anos e resolvemos abrir um lugar onde nós, mulheres, pudéssemos ir sozinhas, para tomar um copo, assistir a um espetáculo ou conversar no bar. E que fosse seguro. Foi quando criamos a Valsa”, relembra. O espaço fechou em 2024. “Agora o meu foco é o Minines.”
Sem sede fixa, o Minines pretende ocupar parques, cafés e espaços culturais independentes de Setúbal. A proposta é oferecer ao longo do ano experiências em teatro, música, dança, literatura e artes visuais, sem caráter pedagógico. O projeto funciona por meio de uma subscrição mensal, de seis euros, que dá acesso a grupo de partilhas, agenda antecipada, prioridade em inscrições e descontos em atividades. Também é possível participar de eventos avulsos, pagos ou gratuitos.
Entre as atividades previstas estão playgroups na natureza, clube de leitura em inglês para bebês e crianças, Mamatinê (encontro de mães com música e dança), mini saraus artísticos e happy hours culturais. “O objetivo é que o Minines seja mais do que uma agenda cultural, seja uma rede de famílias que se apoiam, convivem e constroem juntas uma cidade mais acolhedora para a infância de seus filhos”, sublinha Nika.
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